A homenagem histórica que fez a Marinha batizar um navio com nome feminino pela primeira vez na história

A embarcação atuará na região amazônica a partir do segundo semestre e terá capacidade para realizar quinhentos atendimentos diários

A embarcação funciona como uma verdadeira unidade médica sobre as águas / Divulgação/Marinha

Para quem acompanha as novidades da navegação nacional, uma inovação histórica acaba de ser anunciada. A Marinha do Brasil decidiu estampar um nome feminino em uma embarcação pela primeira vez em sua história recente. 

O novo Navio de Assistência Hospitalar fará uma homenagem direta a Anna Nery, considerada a pioneira da enfermagem do país, que atuou voluntariamente durante os combates da Guerra do Paraguai.

Além disso, a iniciativa busca ampliar o suporte médico em áreas de difícil acesso na Amazônia Oriental a partir do segundo semestre deste ano. 

Construído inteiramente com tecnologia nacional e financiado com recursos do Fundo Nacional de Saúde, o transporte aquaviário tem o potencial de oferecer quinhentos atendimentos diários para as populações ribeirinhas mais vulneráveis.

Estrutura flutuante de ponta

Primeiramente, a embarcação funciona como uma verdadeira unidade médica sobre as águas e atualmente passa por testes rigorosos em um estaleiro localizado na cidade de Manaus. 

Isto é, o projeto entregará seis consultórios dedicados às especialidades médicas e odontológicas. 

Da mesma forma, o espaço contará com um centro cirúrgico voltado para procedimentos de baixa complexidade e equipamentos modernos para a realização de exames de imagem, incluindo ultrassonografia, raios X e mamografia. 

Por consequência, a estrutura de atendimento se completa com um suporte laboratorial rigoroso, farmácia e leitos para internação.

Assim, o projeto será oficialmente batizado na cidade de Belém e incorporado ao Comando do Quarto Distrito Naval, que é o órgão responsável pelos estados do Pará, Amapá, Maranhão e Piauí. 

Desse modo, a frota inédita atuará ao lado de outras embarcações militares que já prestam serviço na localidade. 

Vale destacar que o novo meio de transporte possui um calado menor, uma característica técnica de flutuação que permite a navegação segura em rios mais rasos, ampliando significativamente o raio de alcance das equipes. 

O futuro comandante, Diego Luiz de Sá Rodrigues, relatou que essa adição estratégica visa garantir que um número ainda maior de pessoas em situação de vulnerabilidade receba a devida assistência estatal.

Legado histórico e familiar

Por outro lado, a escolha do batismo carrega um peso histórico fundamental para a área da saúde. 

Natural do interior da Bahia, Anna Justina Ferreira Nery solicitou autorização ao governo imperial brasileiro para acompanhar os seus filhos que haviam sido convocados para o conflito armado. 

Desde então, ela passou a cuidar dos soldados feridos dentro e fora do território nacional, atividade que ajudou a pavimentar as bases profissionais do setor no país, mesmo sem possuir uma formação estruturada naquela época. 

Apesar disso, a mulher perdeu um filho no campo de batalha e retornou para casa sendo aclamada como a mãe de todos os brasileiros pela imprensa da época.

Por fim, a descendente direta e trineta da pioneira, Solange Nery, revelou que a homenageada possuía um perfil bastante discreto e totalmente desprovido de vaidade.

Ainda assim, a família ficou profundamente impactada com o reconhecimento militar, pois o objetivo principal do projeto aquático se alinha de maneira exata com a trajetória da profissional, sempre baseada no ato de cuidar e amar ao próximo. 

Sob o mesmo ponto de vista histórico, durante o período monárquico, a força naval chegou a utilizar o nome da princesa Isabel em uma corveta e, na década de cinquenta, uma heroína da independência deu nome a uma barca de água que acabou sendo rebatizada muitos anos depois.