Cotidiano

A gigante do agro que fatura R$ 25 bilhões e não tem um único dono bilionário

Dona de marcas famosas, Aurora exporta para 80 países com modelo de gestão onde os próprios agricultores são sócios do negócio

Giovanna Camiotto

Publicado em 06/04/2026 às 20:52

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A Aurora Coop se consolidou como uma das maiores forças do agronegócio nacional / Divulgação

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A Aurora Coop se consolidou como uma das maiores forças do agronegócio nacional operando sob um modelo incomum: sem um controlador bilionário. Fundada em 1969, a empresa nasceu da união de pequenos produtores e hoje fatura cerca de R$ 25 bilhões, com presença em 77% dos lares brasileiros e exportações para mais de 80 países.

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A origem remonta à iniciativa de Auri Luiz Bodanese, caminhoneiro que conhecia de perto as dificuldades dos agricultores. A proposta era simples e disruptiva: em vez de vender para grandes indústrias, os próprios produtores passariam a ser donos do negócio.

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Modelo sem patrão

De acordo com o perfil Mentores Visionários, a Aurora foi estruturada como uma cooperativa central, reunindo cooperativas locais formadas por famílias de agricultores. Cada grupo elege representantes responsáveis por votar decisões estratégicas, investimentos e rumos da empresa.

Nesse sistema, não há um único dono. O lucro é distribuído entre os cooperados ou reinvestido na própria estrutura, criando um ciclo de crescimento compartilhado. Quando a empresa avança, os produtores avançam junto.

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O modelo da Aurora cria alinhamento de interesses entre quem produz e quem decideO modelo da Aurora Coop cria alinhamento de interesses entre quem produz e quem decide/Reprodução

Escala industrial

O crescimento do modelo se reflete nos números. A Aurora processa diariamente cerca de 35 mil suínos, 1,3 milhão de aves e 1,5 milhão de litros de leite,  um salto significativo em relação ao início, quando abatia cerca de 200 suínos por dia.

A operação ganhou escala industrial e competitividade, disputando mercado com gigantes como JBS e BRF. Enquanto concorrentes passaram por fusões, aquisições ou controle de grandes grupos econômicos, a Aurora manteve o modelo cooperativista.

A estrutura sem dono individual permaneceu como base da governança. O resultado é uma empresa que alia escala global a um sistema de gestão coletiva, no qual fornecedores são também sócios e têm participação direta nos resultados.

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Lição de negócio

O caso é frequentemente citado como exemplo de que transformar produtores em participantes do negócio pode gerar engajamento e eficiência. Mais do que uma estrutura empresarial, o modelo cria alinhamento de interesses entre quem produz e quem decide.

A experiência da Aurora sugere que, ao integrar fornecedores como parte da empresa, é possível construir uma operação competitiva sem depender de controle concentrado e com crescimento compartilhado.

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