‘A esquerda não dialogou com a sociedade’, afirma Luiza Erundina

Pré-candidata a deputada federal pelo PSol, ela analisa o cenário político e o período eleitoral

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25 JUL 2018Por Glauco Braga08h40
Luiza Erundina segue incansável e combativa na luta pelo seu sexto mandato na Câmara FederalLuiza Erundina segue incansável e combativa na luta pelo seu sexto mandato na Câmara FederalFoto: Rodrigo Montaldi/DL

No alto de seus 83 anos, a deputado federal Luiza Erundina (PSOL/SP) segue incansável e combativa na luta pelo seu sexto mandato na Câmara Federal. Ex-deputada estadual, ex-ministra, ex-prefeita de São Paulo, ela prevê uma disputa das mais difíceis pelo atual cenário político do Brasil.

“Por conta dessa conjuntura adversa que vivemos. Com desemprego, arrocho, falta de perspectivas, congelamento das políticas públicas, a indignação à política e aos políticos será grande. Teremos muitos votos brancos e nulos. Isso é preocupante, mas quem for votar vai ajudar a discutir a política e isso ajuda a elevar o nível de consciência e responsabilidade”, disse.

Recentemente, Erundina declarou que o PSOL, hoje, tem a única chapa de esquerda do País. “Não consigo considerar essa esquerda  ‘rosa’ como esquerda. Não percebo um projeto da esquerda preocupado com a igualdade de direitos, uma democracia solidária, igualdade e minorias. A esquerda não construiu um projeto político, não dialogou com a sociedade!, afirmou.

Sobre a bancada do PSOL em Brasília, Erundina destacou que as bancada tem seis deputados , dentro dos 513 da casa. Apesar de poucos, a deputada foi responsável pelo processo de cassação de Eduardo Cunha e lutou contra a Reforma Trabalhista promovida pelo Governo Temer, além de ter votado a favor em projetos de interesse popular, mas ter feitos críticas tanto nos governos de Lula e Dilma.

Erundina criticou também a prisão do ex-presidente Lula. De acordo com ela, não existe uma base criminal comprovada para mantê-lo na cadeia. “É uma perseguição. Isso é predominante na sociedade que mesmo com o Lula recluso dois meses, incomunicável, segue imbatível nas pesquisas eleitorais. Uma prisão recorde. Em nove meses, ele estava preso”. A deputada ressaltou que políticos tucanos processados continuam soltos. “Veja o caso do Eduardo Azeredo. O caso dele demorou 20 anos para sair a condenação”.

Para a ex-ministra, o governo de Michel Temer, em dois anos, destruiu o que foi construído no País em 100. De acordo com ela, acabou com a legislação trabalhista; vendeu o Pré-sal; atacou o movimento sindical, congelou investimentos nas políticas sociais públicas por 20 anos, tentou vender a Eletrobras. “Tudo isso é preocupante. Vamos seguir lutando para revogar isso tudo. Eu não desanimo. Tenho esperança e essa luta não pode ser deixada no meio do caminho”.

Sobrevivente do período da ditatura militar, Erundina admite que haverá uma radicalização no período eleitoral. 

“Eu acredito que teremos candidatos da direita e esquerda no segundo turno para presidente. No primeiro, cada partido apresentará   o seu. Esse clima de guerra foi criado pela ­direita, depois do golpe que tirou a Dilma Rousseff do poder. Esse ambiente de ódio, medo e barbárie favorece a eles”.