A escola estadual Braz Cubas, em Santos, experimenta avanços na relação entre os alunos com esporte e cultura

Projeto de lei cria ações de combate à violência e às humilhações entre estudantes

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25 FEV 201321h41

“Nós tínhamos um índice alto de agressões físicas e ofensas entre os alunos aqui na escola. Primeiro conversamos com os pais, mas não tivemos êxito. Então, nós (educadores) nos reunimos para encontrar uma solução para o problema”, afirmou a diretora da EEPG Braz Cubas, de Santos, Maria da Graça Carril. Casos de violência física e psicológica dentro das escolas, denominados ‘bullying’, são problemas que aumentam a cada dia e que, muitas vezes, geram conseqüências,  irreversíveis, avaliam educadores e o deputado estadual Paulo Alexandre Barbosa, que é autor do projeto de lei que institui o combate ao bullying na rede pública e particular de ensino. 

Graça disse que a saída encontrada para tentar conter a animosidade na escola foi oferecer aos 1.200 alunos atividades esportivas e culturais. Desde o início de 2006, os estudantes praticam dança de rua, judô, futebol, handbol e futsal, fora do horário escolar. “O nosso objetivo é melhorar a relação entre os alunos e livrá-los da ociosidade”, explicou o professor de dança de rua, Herbert Taylor. O  professor  destacou que as atividades estão condicionadas ao rendimento do aluno e ao seu comportamento em sala de aula. “Só pode participar das atividades esportivas e da dança de rua quem tem bom rendimento escolar e mantém a disciplina”, afirmou.

De acordo com a diretora da escola, somente após um ano de implantação das atividades suplementares, é possível verificar a mudança de comportamento dos alunos que estão mais disciplinados, principalmente os que têm entre 10 e 11 anos de idade, que segundo ela, é a faixa etária mais crítica, a que apresenta maiores problemas de relacionamento. Graça disse que essa proposta pedagógica requer um processo paulatino e contínuo, pois as turmas se renovam e para isso, o trabalho precisa estar sempre sendo repensado afim de  atingir o êxito com os alunos.

Segundo Graça, o estudante Romário Pereira Cavalcante, de 13 anos, é um exemplo de mudança de comportamento para melhor depois que começou a praticar judô na escola, melhorando radicalmente seu relacionamento na escola e seu rendimento escolar. Antes, o estudante estava sempre envolvido em brigas com os colegas. “Agora quando eles me xingam eu deixo quieto. Não revido mais”, afirmou o adolescente que já conquistou duas medalhas no judô.

A aluna Nicole Bageto Campos, 14, freqüenta as aulas de dança de rua e afirmou que o clima entre os estudantes melhorou bastante. “Quem está fora do projeto respeita a gente porque sabe que gostamos do que fazemos”, disse ela, complementando que as atividades também aproximaram os alunos dos professores.

Projeto de lei

O projeto de lei que institui o Programa de Combate ao Bullying, de autoria do deputado estadual Paulo Alexandre Barbosa, cria ações que visam a capacitação de professores, atividades suplementares para tirar jovens das ruas — evitando o ócio — e assistência psicológica aos alunos. A matéria está sendo analisada pelas comissões da Assembléia Legislativa para só então entrar na pauta de votações. Paulo Alexandre está confiante na aprovação da propositura pelos colegas e no acolhimento da Casa da Leis do Estado.