A cidade que apagou as luzes urbanas para conseguir acender as estrelas

A meta principal é evitar o ofuscamento dos moradores e garantir que a luz cumpra sua função sem exageros

Arquitetos e designers italianos se unem para combater o excesso de luz e economizar energia

Arquitetos e designers italianos se unem para combater o excesso de luz e economizar energia | Freepik

As luzes das grandes cidades, embora essenciais, roubaram algo precioso de nós: a visão desimpedida do céu noturno. No entanto, algumas cidades da Itália estão começando a ter seus céus “de volta”.

Graças ao projeto “Going Dark”, arquitetos e designers uniram forças para combater a poluição luminosa, um problema que obscurece as estrelas e impacta o setor de energia.

A iniciativa busca transformar o modo como iluminamos nossos centros urbanos, priorizando o conforto visual e a sustentabilidade.

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O workshop que reacendeu as estrelas

A mais recente edição do “Going Dark” aconteceu em Abbadia Isola, um charmoso vilarejo em Monteriggioni, na província de Siena, no início de outubro.

Lá, um grupo de arquitetos e designers dedicou-se a encontrar soluções inovadoras para diminuir a poluição luminosa e entender como essa redução pode ter um impacto positivo na economia de energia das cidades.

Conheça a região de Abbadia Isola no vídeo abaixo, do canal Fabio Balocchi:

A experiência de uma noite escura

Afinal, por que levar especialistas a um lugar com céu realmente escuro? Giovanni Traverso, arquiteto e especialista em luz natural, explica a essência do projeto. Ele destaca que a iluminação urbana é frequentemente baseada em “tabelas e indicações padrão”.

O workshop inverte essa lógica, proporcionando aos participantes uma experiência imersiva e fundamental.

“A ideia do workshop é fazer com que os profissionais experimentem em primeira mão o que significa um céu estrelado hoje e trabalhem imersos em uma noite escura, em um lugar onde ainda se possa ver a galáxia”, disse ele ao site italiano L’AltraMontagna.

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O paradoxo do excesso de luz

Traverso vai além e faz uma reflexão crítica sobre o uso atual da tecnologia luminosa. Ele aponta um paradoxo impressionante. 

“Se alguém nos visse de outro planeta, diria que todos nós enlouquecemos: embora as tecnologias estejam melhorando e as fontes estejam se tornando cada vez mais eficientes, isso não significa produzir menos luz. Pelo contrário, cada vez mais se produz, vivemos em um crescendo contínuo”, acrescentou.

Essa constatação impulsiona a busca por um uso mais inteligente e responsável da iluminação.

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Conforto visual e sustentabilidade

Com o intuito de reverter essa tendência, as ações propostas pelo projeto focaram em ajustes práticos, mas de grande impacto. Dessa forma, as intervenções incluíram o controle da emissão da luz para cima, um fator-chave para evitar que a iluminação se disperse no céu, além de uma atenção especial ao conforto visual.

Assim, a meta principal é evitar o ofuscamento dos moradores e, o mais importante, permitir a visão das estrelas novamente. O foco é garantir que a luz cumpra sua função sem exageros.