Uma boa qualidade de vida para envelhecer se tornou um ponto importante com o aumento da expectativa de vida no país. Boa localização, acesso à saúde e opções de lazer podem trazer ainda mais conforto para essa etapa da vida.
Em Coqueiro Baixo, no Rio Grande do Sul, a 167 quilômetros de Porto Alegre, a população já vive essa realidade de forma intensa: de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município registrou idade média de 53 anos no Censo de 2022. Isso significa que ao menos metade de seus moradores já ultrapassou essa faixa etária.
O feito curioso coloca a cidade na liderança do ranking nacional de localidades com perfil etário mais avançado, destacando um fenômeno que tem se intensificado em regiões rurais do Sul do país. Com pouco mais de 1,2 mil habitantes, o município rio-grandense tem se deparado com a perda de jovens, que deixam o território para estudar ou trabalhar em lugares mais desenvolvidos.
Enquanto isso, a população mais idosa permanece em Coqueiro Baixo devido às suas raízes impregnadas durante décadas. Por consequência, o índice de envelhecimento local é um dos mais altos já registrados. Exemplificando, para cada 100 crianças de até 14 anos, há quase três vezes mais pessoas com 65 anos ou mais.
Coqueiro Baixo se destaca entre cidades como Gramado (RS) e Santos (SP), que ainda é a cidade com mais de 100 mil habitantes com maior indície de idosos/Divulgação PrefeituraCidade com maior taxa de envelhecimento tem vocação para o agro
Coqueiro Baixo tem uma forte base na agropecuária, o que sustenta sua arrecadação, mesmo com o grande número de aposentados. Pelo menos 95% da arrecadação do município com atividade econômica local vem do agro. A produção de suínos, frangos e leite impulsiona a economia e garante a oferta de serviços públicos, como saúde e transporte.
O município é composto por zona rural e duas ruas principais na área urbana. A emancipação ocorreu há 29 anos, após desmembramento de Encantado, Arroio do Meio e Nova Bréscia. Confira no vídeo abaixo, um pouco mais sobre a cidade:
Como o IBGE calcula o índice de envelhecimento
O índice de envelhecimento, como define o próprio IBGE, é uma razão: representa quantas pessoas com 65 anos ou mais existem em relação a um grupo de 100 crianças de zero a 14 anos. A leitura não depende de renda, de tamanho do território ou de volume de arrecadação, porque o que entra na conta é a distribuição de idades dentro da população.
Os dados municipais aparecem dentro de um quadro mais amplo em que o envelhecimento avança no país. O IBGE mostra que o índice de envelhecimento do Brasil alcançou 55,2 no Censo 2022, indicador que permite observar uma mudança estrutural quando comparado às décadas anteriores.
Ao detalhar a evolução do índice, o instituto apresenta o crescimento desse marcador ao longo do tempo, reforçando a transição demográfica em curso e a redução do peso relativo das faixas mais jovens.
Por que cidades pequenas aparecem com números mais altos
O recorte por tamanho populacional também evidencia uma tendência importante: municípios menos populosos concentram, em média, índices de envelhecimento mais altos.
Na classificação apresentada pelo IBGE, cidades com até 5 mil habitantes registram, em média, índice de envelhecimento de 76,2. Já os municípios com mais de 500 mil habitantes aparecem com índice médio de 63,9.
Isso sugere que, em muitos casos, localidades pequenas reúnem proporções maiores de idosos quando comparadas a grandes centros, embora o indicador varie de forma significativa de cidade para cidade.
