A chance de ser mãe é maior do que se imagina

Tratamentos aumentam chances de casais com problemas de infertilidade em até 55%

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11 FEV 201316h07

Mãozinhas delicadas, dedinhos pequenos, um sorriso gostoso e um chorinho de manhã, à tarde e à noite. O pequenino ser é o centro das atenções da família e o maior presente que qualquer mãe pode ter.

Muitas mulheres realizam o sonho de dar à luz, o seu rebento. No entanto, para outras mulheres, conceber um bebê parece algo impossível. Porém, transformar o sonho de ter um filho em realidade está mais próximo do que se pensa.

Com o avanço da medicina de reprodução humana assistida, tratamentos de fertilidade ampliam as chances de gravidez em até 55%. Segundo o especialista em reprodução humana assistida, médico Roger Abdelmassih, cerca de oito milhões de casais enfrentam problemas de infertilidade, no mundo.

Após 18 meses de tentativas sem sucesso, pode-se considerar que um casal enfrenta problemas de infertilidade, de acordo com Abdelmassih. “Entre os casais com dificuldade de ter um filho, 40% dos casos devem-se a problemas com o homem, mesmo percentual dos casos originados de problemas com a mulher e 20% são dos dois”.

O especialista em reprodução humana assistida, Fernando Ari Fernandes Alves, afirma que após o período de tentativas é recomendada a pesquisa de investigação para detectar as causas da infertilidade. “Após um ano de tentativas sem qualquer método contraceptivo, recomenda-se a investigação para determinar qual tratamento a ser feito. O tratamento adequado depende de vários fatores: causa da infertilidade, idade do casal, e o tempo que o casal está tentando sem sucesso”.

Nos homens, a infertilidade pode ter como causa varizes nos testículos (que intoxicam os espermatozóides) — varicocele —, e a baixa produção de espermatozóides. Já na mulher, as causas estão associadas à obstrução ou aderência das trompas, ovários policísticos (mulher ovula em períodos irregulares) e a endometriose (causada entre outros fatores, pelo estresse).

“A mulher tem na idade um fator muito importante, porque ela já nasce com seus óvulos e envelhece com eles. À medida que os anos passam a qualidade dos pares de cromossomos das células germinativas envelhecem, dificultando a gravidez”, explica Abdelmassih.

Fernandes acrescenta que a idade está para a mulher como fator importante relacionado à fertilidade assim como o estilo de vida está para o homem. “Tabaco, sedentarismo, estresse e doenças sexualmente transmissíveis prejudicam a fertilidade”, aponta Fernandes. Já o homem é fértil até idades avançadas.

Abdelmassih complementa que “por volta dos 35 anos inicia-se uma corrida contra os ponteiros da fertilidade feminina, que lentamente começa a declinar”. Nessa faixa etária, as chances de engravidar durante o tratamento alcançam 55%, por tentativa.

Chances naturais

As chances naturais de gravidez para um casal no auge da capacidade reprodutiva (por volta dos 30 anos), que mantém relações sexuais três vezes por semana, são de apenas 15 a 20% por mês, considerando que o período fértil da mulher dura cinco ou seis dias por ciclo.

Gêmeos

Em uma concepção por métodos naturais, a probabilidade de um casal ter filhos gêmeos é de 5%. Já nos tratamentos de reprodução assistida, a probabilidade de uma gestação múltipla de 2 ou mais bebês sobe para 20%. “Há 18% de possibilidade de gestação gemelar dupla e 2%, de gestação gemelar de mais de três”, explica Fernandes.

Prevenção

“A infertilidade pode ser prevenida”, afirma Abdelmassih. No Brasil, o fator que freqüentemente leva à infertilidade feminina são as DSTs, principalmente, a clamídia e a gonorréia. As DSTs são a terceira maior causa de infertilidade masculina no país.

Nos homens, elas podem obstruir o canal pelo qual o espermatozóide passa. As drogas são outro fator de risco. Mulheres fumantes têm 20% menos chances de engravidar do que as não fumantes. O uso abusivo de tabaco e cocaína pode reduzir a produção de espermatozóides.

Magreza ou obesidade excessiva também criam dificuldades para a gravidez. A mulher pode deixar de produzir óvulos e o homem, pode baixar o número de espermatozóides.

Tratamentos

Há três tipos de tratamento. Coito programado no qual a paciente recebe uma estimulação da produção do número de óvulos para aumentar as chances, e pede-se ao casal que tenha relações sexuais no dia da ovulação.

Outro método é a inseminação artificial, que também utiliza a estimulação da ovulação, porém colhe uma amostra de sêmen que é processada no laboratório. Depois o sêmen é colocado dentro do útero no dia da ovulação.

A terceira técnica é a chamada de Fertilização In Vitro (FIV) também conhecida por bebê de proveta. Na fertilização a mulher tem seus ovários estimulados para produzir mais óvulos. No momento adequado os óvulos são retirados por aspiração sob anestesia e guiada por ultra-som.

Em seguida, os óvulos são levados ao laboratório onde serão fecundados pela Injeção Intracitoplasmática do Espermatozóide (ICSI). Cada espermatozóide é injetado em cada óvulo praticamente garantindo a fecundação. Os embriões produzidos no laboratório são então transferidos ao útero. Em 12 dias, é possível saber se ocorreu a gravidez.

Fernandes explica que durante o tratamento são realizados exames para analisar a motilidade (movimento), a morfologia (formato do corpo e da calda) do espermatozóide, além da quantidade produzida. Os testes ainda analisam quantos espermatozóides são capazes de vencer uma barreira.

Segundo ele, a baixa produção de espermatozóide é um problema genético. Um homem fértil na faixa dos 30 anos produz 20 milhões de espermatozóides por miligrama de sêmen ejaculado. “Pelo menos 55% dos espermatozóides têm que ser móveis”.   

A técnica que proporciona maior taxa de sucesso é a FIV, que alcança 50% de gestação por tentativa em mulheres com menos de 35 anos. Aos 40 anos, cai para 15%. Já a técnica de coito programado tem índice de sucesso de 15% e o IIU, de 20%.