6 mil imigrantes estão à deriva no sudeste da Ásia, diz ONU

Imigrantes das minorias bengali e rohingya fugiram de Bangladesh e Mianmar; Malásia, Indonésia e Tailândia se recusaram a recebê-los

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15 MAI 201515h01

Cerca de 6.000 imigrantes bengalis -  grupo étnico dividido entre a Índia e Bangladesh - e rohingyas - minoria muçulmana concentrada, principalmente, em Mianmar - continuam à deriva em condições muito precárias no mar do sudeste asiático, segundo a ONU, que criticou a iniciativa de Malásia, Indonésia e Tailândia de adotarem "uma política de devolução ao mar" de embarcações ilegais.

O Alto-Comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra'ad al-Hussein, pediu aos governos desses três países que "atuem rapidamente para proteger as vidas dos imigrantes".

Embora tenha agradecido a Indonésia por ter permitido há cinco dias o desembarque de 582 imigrantes e a Malásia por ter feito o mesmo no dia seguinte com 1.018 ilegais, Hussein lhes advertiu que impedir agora a chegada ou se negar a resgatar embarcações repletas de pessoas é o mesmo que pôr suas vidas em perigo.

O alto-comissário disse estar consternado com as últimas informações de que Malásia, Indonésia e Tailândia devolveram embarcações de imigrantes para o mar aberto, impedindo-os de se aproximar de seu litoral. "Tais ações vão levar, necessariamente, a várias mortes que poderiam ter sido evitadas", afirmou Hussein.

Ele qualificou de "incompreensível e desumana" a ação da Marinha tailandesa de distribuir água e comida em uma embarcação na qual se encontram centenas de pessoas "em condições abjetas", assim como combustível para que saiam de suas águas territoriais.

A ONU também criticou as ameaças feitas por países da região de "criminalizar" imigrantes e solicitantes de asilo vulneráveis e que entraram de maneira irregular.

6 mil imigrantes estão à deriva no sudeste da Ásia, segundo a ONU

"Os governos do Sudeste Asiático devem responder a esta crise partindo do princípio de que os imigrantes, independentemente de seu status legal, da maneira em que cruzaram as fronteiras ou de onde vêm, são pessoas com direitos que devem ser respeitados", disse Zeid.

O alto-comissário destacou que colocá-los em centros de detenção não é uma solução e que por outro lado é preciso concentrar os esforços contra os traficantes de pessoas.

Estima-se que no ano passado cerca de 53 mil imigrantes partiram por mar de Bangladesh e Mianmar, onde a minoria muçulmana rohingya é perseguida e vive em condição de apátrida, pois o governo rejeita reconhecê-los como nacionais.