2ªf sem carne: ‘É um embrião para uma coisa maior’, diz vereador

Benedito Furtado busca implantar projeto que restringe consumo de carne por um dia na semana

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14 MAR 201503h55

Um dia da semana, a segunda- feira, sem o consumo de carne. A iniciativa não é uma novidade. Começou nos Estados Unidos, em 2008. Em São Paulo, foi implantado em 2009. Até o ex-beatle Paul McCartney entrou no projeto e escreveu uma música sobre o dia.

Essa é a ideia que o vereador Benedito Furtado (PSB) tenta implantar em Santos. O projeto implantado às segundas- feiras, pois é o dia em que há um menor consumo de carne, segundo pesquisas.

É a terceira vez que Furtado busca colocar o projeto em prática. Logo após São Paulo ter entrado com o programa, o vereador fez um requerimento para ser implantado no Município. Em 2012, fez indicação ao prefeito João Paulo Papa, mas após argumentos da Secretaria de Educação, não foi adiante. Agora, com um projeto de lei, se abriu a discussão novamente.

No início, o ‘Segunda Sem Carne’ passou a ser discutido nas redes sociais, onde diversas pessoas se manifestaram e criticaram o programa. Para Furtado, isso foi positivo, pois abriu uma discussão e chamou a atenção para o projeto. “Foi muito bom. Na hora que uma página do Facebook, com milhares de seguidores, joga uma visão crítica, os seguidores daquela página, a maioria sem noção do que é a coisa, começaram a debater sem argumentos. Foi quando iniciou um debate e tentou se qualificar porque entraram os ambientalistas, veganos, protetores de animais, cada um com seus argumentos e inserindo naquela discussão vários aspectos de natureza objetiva”.

O vereador explicou que a questão ambiental vem em primeiro lugar no programa, a frente da questão da alimentação e da defesa animal. “Ele é um embrião para uma coisa maior. Quando essa ideia foi levantada nos Estados Unidos, ela foi levantada pela ótica da questão ambiental. A discussão era os danos que a produção da carne trazia ao meioambiente”.

Vereador analisa ideia além da alimentação e da defesa dos animais (Foto: Matheus Tagé/DL)

Para exemplificar, Furtado analisou a questão da água para fins de agropecuária. “Estamos vivendo uma crise de água. Algo em torno de 73% da água consumida no planeta é para agropecuária. Disso, 80% é consumido para manutenção e produção dos rebanhos. Seja para aguar pasto, criar pasto, servir junto com alimentação ou lavar. Também é utilizada para plantar grãos. Por exemplo, a soja, entre 60% e 70%, vai para ração animal. Em uma escala um pouco menor, também ocorre isso com o milho. Toda essa gama de água é gasta para produção animal”.

Outros pontos levantados pelo projeto, em relação ao meio-ambiente, são os altos níveis de gás metano expelidos pelos animais, cerca de dez vezes mais tóxicos que o monóxido de carbono, e a devastação de ecossistemas para a criação de gado. O vereador citou como exemplo, a empresa JBS, que hoje é a maior empresa privada brasileira.

Sobre a questão da saúde e alimentação, Benedito Furtado disse que as pessoas “precisam comer mais legumes, verduras, cereais e frutas” e que “para que a alimentação seja sadia, precisa diminuir a quantidade de carne”. Como alternativa para fonte de proteínas, ele citou grãos como feijão, lentilha e grão de bico.

Já sobre a defesa dos animais, bandeira também defendida por Furtado, o vereador criticou a forma como se criam e abatem animais. “Esse negócio de morte sem dor, morte humanitária não existe. Morte é morte. Quanto menos a gente matar, menos vamos ter dramas de consciência. Eu não prego o fim da alimentação por carne. Isso não existe. Busco uma diminuição de forma que mantenhamos o melhor equilíbrio do planeta, melhor alimentação e minimizar um pouco essa máquina de criação de animais”.