19 de abril: o 'DNA' indígena se faz presente nos bairros de São Vicente

Voturuá, Guassu, Paratinga são alguns dos núcleos com denominações originadas do tupi-guarani

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19 ABR 2021Por Da Reportagem16h04
Em São Vicente, essas raízes continuam presentes nas áreas urbanas, com denominações em tupi-guarani nos nomes de rua, praias e morros da CidadeEm São Vicente, essas raízes continuam presentes nas áreas urbanas, com denominações em tupi-guarani nos nomes de rua, praias e morros da CidadeFoto: Rodrigo Montaldi/Arquivo DL

Nesta segunda-feira (19) comemora-se o Dia do Índio, numa justa referência aos povos que habitavam as terras brasileiras muito antes da chegada dos navegantes portugueses no final do século XV.

Em São Vicente, essas raízes continuam presentes nas áreas urbanas, com denominações em tupi-guarani nos nomes de rua, praias e morros da Cidade. Em suma, o “DNA” indígena mantém essa história viva ainda no século XXI.

Um bom exemplo está nos bairros vicentinos: dos 38 núcleos oficializados no Município, 13 têm nomes que remetem à língua nativa. No site peabirucalunga.blogspot.com, organizado pelo historiador e mestre em Comunicação e Cultura Midiática, Dalmo Duque dos Santos, uma lista de verbetes em tupi-guarani explica os significados dessas denominações. Catiapoã, por exemplo, é traduzido como ‘o mato em que os canários cantam’, enquanto Itararé (que denomina a praia, o morro e o bairro) equivale a ‘água que surge da pedra’ e Voturuá é o ‘dorso da montanha’ – bem apropriado, pelo relevo do local. “Já o bairro Humaitá, que significa ‘pedra preta’, recebeu este nome na época do regime militar, em referência à batalha da Guerra do Paraguai”, explica Dalmo.

No geral, as origens são do tupi-guarani, mas muitas denominações vêm de junções de outros nomes, “o que impossibilita uma tradução correta em alguns casos”, afirma o historiador e escritor Jorge Henrique de Oliveira Lima.

“Os índios que viviam nesta região seriam os tupiniquins (da etnia Tupi) e os Guianas (da etnia Macro-jê), mas eles não moravam na ilha. Vinham para o litoral para pescar, caçar e se banhar no mar. A aldeia dos Tupiniquins ficava onde hoje é o bairro do Ipiranga, e os Guianas habitavam onde é hoje Paranapiacaba, em Santo André. As duas tribos eram amigas, não havia conflito entre elas. Em meados do século XIX, já não havia mais índios por aqui”, detalha Jorge Henrique.

Em 2004, um novo aldeamento, denominado Paranapuã (“mar levantado”, na tradução para o português), formou-se em São Vicente, na Praia de Itaquitanduva, área do Parque Estadual Xixová-Japuí, com cerca de 90 indígenas da etnia Tupi.

Confira o significado de cada núcleo situado em São Vicente:

Zona Rural

Acaraú – Rio dos Carás ou Rio das Garças

Paratinga – Rio Branco

Continente

Humaitá – Pedra Preta

Japuí – Lugar que mostra entrada do mar (ou porto).

Paranapuã – Barra seca ou mar levantado.

Samaritá – Lugar árido, deserto.

Região Insular

Bitaru – Nocivo, prejudicial à pele.

Catiapoã – O mato em que os canários da terra cantam.

Guassu – lugar grande, extenso.

Itararé – Água (mar) que surge da pedra.

Pompeba – Cipó chato.

Sambaiatuba – Muitas conchas.

Voturuá – Dorso ou cume da montanha.