Cotidiano

180 vezes pior: A diferença chocante entre um prato vegano e o tradicional que ninguém te contou

Essa é uma das conclusões do estudo "Comer em casa ou na rua? Estudo comparativo através da avaliação do ciclo de vida frente às mudanças climáticas globais", desenvolvido por Ana Carolina Lopes Miranda Aguiar, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Igor de Paiva

Publicado em 12/02/2026 às 19:20

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O estudo reforça que escolhas alimentares cotidianas, muitas vezes consideradas inofensivas, carregam uma pegada ambiental significativa / Freepik

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Você já parou para pensar que até aquela salada aparentemente leve do almoço ou o tradicional churrasco de fim de semana podem contribuir — ainda que de forma discreta — para o aquecimento natural do planeta?

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Essa é uma das conclusões do estudo “Comer em casa ou na rua? Estudo comparativo através da avaliação do ciclo de vida frente às mudanças climáticas globais”, desenvolvido por Ana Carolina Lopes Miranda Aguiar, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

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A pesquisa utilizou a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), ferramenta da engenharia ambiental que analisa todas as etapas de um produto: desde a produção e o transporte dos alimentos até o momento em que chegam ao prato do consumidor. A proposta é medir, com precisão, o impacto ambiental gerado em cada fase do processo.

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Para isso, a pesquisadora analisou dois restaurantes de comida libanesa na Zona Sul do Rio de Janeiro — um deles exclusivamente vegano. A partir de entrevistas com gestores e funcionários, ela identificou os dez ingredientes mais utilizados por cada estabelecimento, criando uma base comparativa para avaliar as emissões de dióxido de carbono (CO).

O estudo reforça que escolhas alimentares cotidianas, muitas vezes consideradas inofensivas, carregam uma pegada ambiental significativa. Mais do que discutir onde se come — em casa ou na rua —, a pesquisa aponta que o principal fator está no tipo de alimento que chega ao prato.

Detalhamento da análise

Para garantir rigor científico, Ana Carolina mapeou toda a cadeia produtiva dos ingredientes avaliados. “Quis entender como cada alimento é produzido, processado e transportado até chegar ao restaurante”, explicou.

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Nos estabelecimentos que utilizavam proteínas de origem animal, a carne bovina foi, de longe, a maior responsável pelas emissões de CO. Já no restaurante vegano, o ingrediente com maior pegada de carbono foi o pepino.

A investigação também incluiu o consumo em residências do Rio de Janeiro. Assim como nos restaurantes tradicionais, a carne bovina liderou as emissões, seguida pelo óleo de soja e pela carne suína.

Para calcular a emissão por pessoa, a pesquisadora considerou o volume de atendimentos de cada estabelecimento, dividindo o total de emissões de cada ingrediente pelo número de clientes.

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No balanço geral, os pratos oferecidos pelo restaurante vegano apresentaram as menores emissões. “Minha pesquisa começou investigando o consumo elevado em restaurantes, mas o ponto central é o tipo de produto que chega ao prato”, concluiu.

Emissões por ingrediente

Restaurante 1 (vegano)

Pepino – 0,125 (27,40%)
Óleo de soja – 0,122 (26,81%)
Arroz não basmati – 0,039 (8,57%)
Couve-flor – 0,034 (7,52%)
Grão-de-bico – 0,033 (7,22%)
Limão – 0,024 (5,40%)
Cebola – 0,024 (5,29%)
Farinha de trigo – 0,021 (4,80%)
Tomate – 0,019 (4,24%)
Cenoura – 0,012 (2,74%)

Restaurante 2 (com proteína animal)

Bovinos para abate (peso vivo) – 22,869 (95,29%)
Farinha de trigo – 0,439 (1,83%)
Trigo em grãos – 0,363 (1,52%)
Grão-de-bico – 0,165 (0,69%)
Tomate – 0,097 (0,40%)
Cebola – 0,060 (0,25%)
Abate de frango (peso vivo) – 0,002 (0,01%)
Hortelã – 0,000 (0,00%)
Alho – Não disponível
Salsa – Não disponível

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Domicílios

Bovinos para abate (peso vivo) – 17,222 (55,82%)
Óleo de soja – 2,759 (8,95%)
Suínos para abate (peso vivo) – 2,659 (8,62%)
Leite de vaca – 2,529 (8,20%)
Abate de frango (peso vivo) – 2,235 (7,25%)
Arroz não basmati – 1,790 (5,80%)
Farinha de trigo – 0,622 (2,02%)
Açúcar de cana – 0,522 (1,69%)
Feijão em fava – 0,388 (1,26%)
Batata – 0,120 (0,39%)

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