Papo de Domingo: Alienação parental: o que é?

Entenda o fenômeno que tem atingido crianças com o crescente número de separações entre casais

Comentar
Compartilhar
19 JUL 201420h33

"Um filho é a extensão de um amor que não coube em dois corações". São as palavras de Maria Betania Vennancio, que hoje luta para conquistar o amor de sua filha de 10 anos. A criança mora com o pai, seu ex-marido, e é vítima do fenômeno chamado alienação parental.

O pai alimenta pensamentos e ideias na criança contra Maria Betania. O que ela sofre hoje com a filha, também já sofreu com a própria mãe. Conta que foi vítima de alienação parental. A consequência do trauma de infância é que atualmente, com 41 anos, ela não consegue estreitar os laços com sua mãe, de quem já ficou 20 anos afastada.

Os problemas familiares sofridos por Maria Betania se tornaram motivo para que ela lutasse pela conscientização da população sobre a alienação parental. Ela hoje faz parte da Associação Brasileira para Igualdade Parental, que manifesta a favor da Guarda Compartilhada, a solução para o fenômeno prejudicial às crianças.

>Maria Betania - Os problemas familiares sofridos por ela se tornaram motivo para que lutasse pela conscientização da população (Foto: Matheus Tagé/DL)

Confira abaixo a entrevista com Maria Betania, que explica sobre o assunto:

Diário do Litoral - Primeiro, Maria, o que é alienação parental?

Maria Betania - Alienação parental é o que eu chamo de câncer. Quando um dos pais de uma criança fica difamando o outro. Isso acontece muito em razão dos finais de relacionamento, quando o casal não se entende mais enquanto homem e mulher e esquece que existe a relação pai e mãe de uma criança.

DL - Como isso acontece?

MB - Um dos genitores quer tirar o filho do convívio do outro. Como? Dificultando o recebimento de ligações, por exemplo, interceptando correspondências, fazendo com que a criança lhe deva algum tipo de fidelidade. A criança não tem discernimento, então ela adota uma verdade absoluta daquele que se impõe mais, daquele que compra mais presentes, propaga ilusões.

DL - Quais são as consequências para a criança?

MB - Para as crianças as consequências são os problemas psicossociais. Elas podem ficar apáticas nas relações sociais, não ter um desenvolvimento na escola.

>Maria Betania -

DL - Você disse que foi vítima de alienação parental. Como foi?

MB - Eu sofri alienação parental, mas meus pais nunca foram separados. Hoje eu tenho 41 anos, e eu não consigo estreitar os laços com a minha mãe. Eu sequer a respeito. O meu vínculo maior sempre foi com o meu pai. Eu tinha uma tia que me alienava, embora isso aconteça na maioria das vezes com a separação de um casal. Mesmo depois de eu mesma ser mãe, eu não consigo ter um respeito com a minha mãe. Eu deixei de ver a minha mãe por 20 anos, e de dar notícia nenhuma por oito anos.

DL - E você sofre do mesmo fenômeno com a sua filha?

MB - O pai da minha filha é um grande alienador. A minha filha tem dez anos, foi morar com o pai. Hoje eu luto para ter o amor da minha filha, porque eu não quero que aconteça com os nossos laços o que aconteceu comigo e com a minha mãe. Hoje a minha filha já apresenta transtornos psicológicos.

DL - Na sua visão, com a separação de um casal, a guarda unilateral é prejudicial à criança?

MB - Muito. De acordo com as nossas pesquisas do IBGE, no Brasil, 95% das guardas são unilaterais. Por que com o advento do desenvolvimento da mulher na sociedade, a maioria das mulheres são merecedoras unilaterais?

DL - Qual seria o melhor então?

MB - A guarda compartilhada, porque a criança consegue ter a igualdade parental, onde ambos genitores conseguem conviver em harmonia com seus filhos.


DL - Na teoria, como funciona a Guarda Compartilhada, Maria?

MB - Existem dois tipos de Guarda Compartilhada: a física e a alternada. Na física, a criança mora com a mãe ou com o pai, mas o outro genitor tem amplo e irrestrito acesso ao filho. Não existe hora ou dia predeterminados. Pai não é visita. Já a alternada, o filho pode ficar alguns dias na casa da mãe, outros na casa do pai, mas também nada pré-determinado. O pai pode levar na escola, a mãe buscar. De um modo geral, pai e mãe participam ativamente do dia a dia da criança.

DL - Quando um dos genitores identifica que a criança está sofrendo alienação parental por parte do outro, o que ele pode fazer?

MB - Ele deve constituir provas, para entrar com um processo contra o ex-parceiro ou ex-parceira. Vídeos, gravações, testemunhas servem de provas. Mas a própria criança dá indícios.

DL - Qual o trabalho da Associação Brasileira para Igualdade Parental?

MB - Nosso trabalho é levar orientação à população e pedir clemência ao Judiciário na aplicabilidade da Lei da Guarda Compartilhada, que é o remédio para combater a alienação parental. A Associação está disseminando o assunto por todo o País através de palestras e panfletagens. Quem tiver qualquer dúvida sobre alienação parental ou quiser se juntar ao nosso movimento, pode mandar um e-mail para [email protected]