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Repórter da Terra

Usinas não têm mais onde armazenar etanol e preço do hidratado cai 25% em seis meses

Na safra atual, que vai de abril até o final do ano, o processamento de cana cresceu quase 11% em relação a 2022, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia. Mais: o milho ‘barato’ em 2023 tem impulsionado a transformação do grão em etanol nas novas usinas instaladas nos últimos anos, especialmente no Mato Grosso.

Resumo: tem tanto biocombustível disponível que os preços para o consumidor despencaram.

Só nos últimos seis meses, a queda nos preços do etanol hidratado beira os 25%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Escola de Agronomia da USP.

Resultado: o consumo de etanol disparou agora em setembro.

Nas contas do Cepea, as vendas do hidratado cresceram 85% no final da primeira quinzena, na comparação com a semana do feriado da Independência. O hidratado é vendido pelos postos de combustível diretamente ao consumidor. Já as vendas de etanol anidro, que é misturado à gasolina nas distribuidoras, saltaram 88% no mesmo período.

Segundo o Índice Cepea/Esalq, o etanol hidratado fechou a primeira quinzena valendo R$ 2,1706/litro na média das distribuidoras do Estado. Em abril, o mesmo litro de hidratado beirava os R$ 2,95. Há 12 meses, o valor estava próximo de R$ 2,70.

Importante: os biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, contribuem para a redução na emissão de dióxido de carbono (CO2), que é lançado na atmosfera pela queima de gasolina e diesel e, também, pela derrubada das árvores.

O CO2 é o principal responsável pelo aquecimento global, que tem ampliado a ocorrência de eventos climáticos extremos em todo o Planeta, como ondas de calor e inundações.

Fumaça das queimadas...

Uma pesquisa científica divulgada nesta semana pela Escola de Políticas Públicas e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) escancarou os riscos à saúde coletiva provocados pela queima das florestas.

...aumenta internações em 23%...

Segundo o estudo ‘Health impacts of wildfire-related air pollution in Brazil: a nationwide study’, a fumaça das queimadas aumentou as internações hospitalares por doenças respiratórias em 23% no Brasil. Neste rol estão internações por bronquite, pneumonia e asma.

...e amplia casos de AVC em 21%...

As queimadas também estão associadas a um aumento de 21% nas cardiopatias e doenças circulatórias, como o Acidente Vascular Cerebral. As principais vítimas são crianças de até 5 anos e idosos acima dos 64 anos. Os pesquisadores avaliaram mais de dois milhões de internações no País inteiro, de 2008 a 2018, e os resultados foram publicados agora na Revista Nature Communications.

...em todo o Brasil

E o risco é ainda maior no entorno da Floresta Amazônica, vítima de madeireiros, garimpeiros e pecuaristas, especialmente durante o governo Bolsonaro. Os estados da Região Norte tiveram aumento de 38% nas internações por doenças respiratórias e de 27% nas circulatórias.

‘Vejo vir vindo no grupo vento...

O novo ciclo de prosperidade que se avizinha com a economia verde está abrindo uma janela gigantesca de oportunidades em diversas regiões do País. Depois de inaugurar a primeira planta para produção de combustível sustentável de aviação, no início do mês, no Rio Grande do Norte, agora o Nordete abre a perspectiva de multiplicar biorrefinarias pelo sertão.

...o cheiro da nova estação’

Cientistas ligados à Universidade Federal do Ceará acabam de produzir hidrogênio verde (H2V) a partir do bagaço de caju. O processo é inédito. Como a biomassa do caju é um resíduo abundante na região, o H2V sertanejo deve se tornar atraente tanto para o mercado interno quanto para exportação devido ao baixo custo e à proximidade com a Europa e os EUA. O Nordeste já contabiliza R$ 30 bilhões em investimentos para produção de H2V, enquanto o Porto de Santos ainda avalia uma eventual parceria-público-privado de R$ 500 milhões que viabilize o H2V a partir da Usina Hidrelétrica de Itatinga, em Bertioga.

 

Filosofia do campo:

“Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras. Outras constroem moinhos de vento”, Érico Veríssimo (1905/1975), escritor gaúcho, em ‘O Tempo e o Vento’.

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