Olhar Filosófico

Marilena Chauí: escola, filosofia e o direito à reflexão

Diferentemente do que muitos supõem quando comparam a tarefa da Filosofia na escola a uma espécie de bate-papo mais qualificado e permeado de cultura, a filósofa Marilena Chauí a vê como uma necessidade à formação humana integral, numa proposta cada vez mais democrática de Sociedade.

Ela, a Filosofia, em ‘seu’ ofício curricular, deve ser essencialmente provocadora de questionamentos fundamentais ao entendimento do indivíduo por ele mesmo e pelo esclarecimento das mediações histórico-materiais que o constroem.

Daí, a Filosofia, na concepção de Chauí, não poder ser tratada como mais um item de informações do currículo escolar; pelo contrário, deve ser parte do dinamismo de ensinar-aprender, em que o bom professor pode fazer surgir seu “ponto de emergência”, isto é, “o prazer do pensamento pela aquisição de conhecimentos”. Caso contrário, a disciplina de Filosofia “apoiada nas certezas curriculares e nas muletas

da administração burocrática, converte-se em pacificação das consciências, sonolência do desejo e purificação ascética do prazer. Morre o amor à sabedoria.”

Por tudo isso, Marilena discorre sobre a possibilidade da Filosofia ser ou não útil enquanto disciplina do Ensino Médio: “Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às ideias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do

mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para ser conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.”

Nossa filósofa, portanto, entende que a Filosofia é, essencialmente, “uma interrogação sobre o sentido e o valor do conhecimento e da ação, uma atitude crítica com relação ao que nos é dado imediatamente em nossa vida

cotidiana, um trabalho do pensamento para pensar-se a si mesmo e da ação para compreender-se a si mesma.”

Marilena vê na Filosofia mais que um conjunto de informações, um processo, porque, tendo em vista suas atividades de reflexão-análise-crítica, seu status epistemológico, não possui nem a pretensão técnico-científica nem a profissão de fé religiosa, mas, antes, orienta-se à “elaboração de ideias sistemáticas e demonstradas sobre a realidade e os seres humanos.”

Marilena de Souza Chauí é uma das mais renomadas e influentes filósofas contemporâneas e ocupou o cargo de Secretária de Cultura da cidade de São Paulo no governo do Partido dos Trabalhadores, de 1989 a 1992.

Professora titular do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, recebeu a distinção Ordre des Palmes Académiques, conferida pela Presidência da República francesa (1992), além de dois títulos de doutorado honoris causa, um pela Universidade de Córdoba e outro pela Universidade de Paris 8, como referência filosófica internacional nos estudos sobre o filósofo Baruch Espinosa (1632-1677).

Foi dito no discurso da entrega de seu título : “Para alguns, a filosofia é uma carreira universitária. Para outros, mais raros, ela é um combate. Era, certamente o caso de Espinosa. E é também, sem dúvida, o de Marilena Chauí!”

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