Todos nós precisamos. A ocitocina é o chamado “hormônio do amor”. É aquilo que causa uma sensação agradável depois de receber um abraço de alguém a quem se ama. Ou de fazer carinho numa criança ou num cachorro. Numa era de estresse galopante, os humanos precisam, cada vez mais, de ocitocina.
Ela é produzida no hipotálamo cerebral e atua qual mensageiro químico. Promove sentimentos de amor, intimidade, vínculo afetivo e bem-estar.
Embora seja importante e atue no processamento sensorial, na percepção da dor, na regulação da temperatura, influencie as interações sociais e muito mais, ela ainda é mal compreendida.
Em virtude de seu papel no parto e amamentação, pois é responsável pela descida do leite e pelo vínculo emocional entre mãe e recém-nascido, sempre foi concebida como hormônio feminino. Só que ela atua nos dois sexos. É um remédio natural por afetar todos os processos conhecidos, até mesmo o microbioma.
Todas as sensações saudáveis derivam dela. Ela pode baixar a pressão arterial, reduzir a reatividade ao estresse, trazendo mais calma física e emocional. Reduz a inflamação e tem propriedades antioxidantes. Protege o corpo e ajuda o processo de cura. Quando naturalmente liberada, exerce papel no comportamento sexual, incluindo excitação e orgasmos.
Ela se ausenta nos processos de anorexia nervosa, depressão e ansiedade. Já sua elevação conduz à empatia e a um comportamento social positivo. Mas como aumentar a ocitocina em nossa vida?
A recomendação é cantar com vontade, com outras pessoas, em coral ou grupo informal. Praticar meditação, principalmente calcada em compaixão e gentileza. Fazer algo gentil por alguém. Um comportamento pró-social, como se voluntariar numa instituição pia.
Encontrar o toque certo em massagem suave ou com pressão moderada nas costas, cabeça ou pés. Olhar nos olhos do seu cão. Usar bons aromas e movimentar-se. Correr, praticar artes marciais, ioga.
É preciso alguma excitação fisiológica para induzir a liberação de ocitocina. Mas o bom é que ela pode ser produzida mediante pequenas modificações em nossos hábitos e condutas.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.