José Renato Nalini

O sonho de Bilac

Olavo Bilac foi um dos maiores poetas brasileiros

Google Gemini/Imagem Gerada por IA

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Olavo Bilac, (1865-1918), ou Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, foi um dos maiores poetas brasileiros. Foi aclamado como o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, título depois herdado por nosso Paulo Lébeis Bomfim, que este ano completaria cem anos. 
 
Bilac era uma pessoa extraordinária, além de respeitado poeta. Quando, em Paris, acabara de ler o prelúdio do “Chantecler”, estava maravilhado e dizia: - “Sabes qual é hoje o desejo mais ardente da minha vida? Não ter mais coisas práticas de que cuidar, recolher-me a casa, semanas, meses inteiros, escrevendo versos. Só assim eu poderia começar a obra que me supus capaz de escrever!”.
 
Como poeta, era mais do que admirador das mulheres. Elas o assediavam. Narrando um telefonema, ele diz: “Era voz de mulher, mas uma voz de mulher a quem se quer bem, voz de mulher que se espera desde o princípio da vida. Indagou da minha saúde, interessada naturalmente pela minha vida. Conversamos durante meia hora sobre coisas honestas e ela, a insistente pedido meu, prometeu telefonar no dia seguinte.
 
Prometeu e cumpriu. E assim se passou uma semana, duas, três, e um mês e dois. Todos os dias, às oito da manhã, era certo aquele chamado, que eu já aguardava com ansiedade. Até que, um dia, eu insisti em conhecê-la. Aquela situação era para mim um tormento. Preferia, a bem da minha saúde, não a ouvir mais, a persistir naquele regime. E ela, diante da minha insistência, aquiesceu”.
 
Combinaram que ela passaria, a determinada hora, diante de um local em que os intelectuais cariocas se encontravam todas as tardes. Ele indagou como poderia reconhecê-la no meio de tanta gente. E ela: - “Eu me farei reconhecer. Irei vestida de preto e olhá-lo-ei de modo que me reconheça”.
 
Na hora aprazada, ela surgiu. Bilac descreve: “um dos tipos de mulher mais impressionantes que eu tenho visto na minha vida. Alta, elegante, fisionomia serena e doce, toda ela irradiava beleza, graça e bondade. Ao passar por diante de mim, sorriu e inclinou a cabeça, num cumprimento”.
 
Ele se emocionou. Pensou em segui-la, mas a figura o emocionara tanto, que ele desistiu. E foi a primeira e última vez que a viu. – “Não voltou, nem nunca mais me telefonou...”.
 
Belos tempos que também não voltam mais, em que se falava durante meses, por meia hora, com admiradoras desconhecidas...
 
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.  

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