José Renato Nalini
Unsplash/Sasun Bughdaryan
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Saudades dos tempos em que a criminalidade tupiniquim era exercida por indivíduos na verdade pouco perigosos. Houve até bandidos célebres, como o famoso Meneghetti, objeto de um livro do Professor Paulo José da Costa Júnior.
Alguns tipos foram objeto de descrições na literatura, como “Pingô”, personagem que Humberto de Campos menciona em seu “Diário Secreto”. Fora expulso da polícia e servia como porteiro de um jornal e se portava bem, servindo também como capanga, “e de capanga covarde, de cara patibular e corpo de jagunço”.
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Muito mais tarde, Humberto o encontra no Rio. Estava a desfrutar um prestígio novo em sua classe, como cabo eleitoral. Entranhou-se na baixa política e era popular. Chegou a ir ao jornal “O Imparcial”, para agradecer a generosidade da imprensa em relação ao último crime que cometera: dera uma dúzia de facadas na mulher com quem vivia.
Indagado se ela morrera, respondeu que continuava com ela. Algo para ele muito natural. “Mulher só quer bem a gente quando a gente tira sangue dela!”. Contando sobre seu processo, invocou, de cor, vários artigos do Código Penal, sem esquecer parágrafos e incisos. Repetiu os trechos mais citados pelo promotor e pelo seu defensor. Então indaga-se: - “Porque você não tira um bacharelado e vai advogar?”. Sua resposta é instigante: “Qual, seu doutor, não vale a pena: o nosso Foro está muito desmoralizado!”.
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A sensação de que o sistema Justiça deixa a desejar não é coisa pouca em nossos dias. Uma série de fatores está na origem do desprestígio desse equipamento que só faz crescer, quantitativamente, e não consegue atender aos anseios da sociedade.
A conversa de Pingô hoje mudou? Não nessa categoria. O crime só ganhou escala. Impregnou a sociedade. Está em todos os setores. O Brasil está gangrenado. Não se sabe mais com quem se está lidando. Isso é ruim e muito triste.
Quando é que virá a profunda reforma estrutural da Justiça brasileira?
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