José Renato Nalini

Coisas de poeta

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De poeta e de louco, todo o mundo tem um pouco. Diz a sabedoria popular. E se acompanharmos a vida de alguns grandes artífices da poesia, vamos verificar que o povo está certo. 
 
Pensemos em Coelho Neto, na verdade Henrique Maximiano Coelho Netto (1864-1934) foi um escritor, político e professor brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras onde foi o fundador da Cadeira número 2. Foi considerado o "Príncipe dos Prosadores Brasileiros", numa votação realizada em 1928 pela revista O Malho. Notável na prosa, levava uma vida de poeta.
 
Basta dizer que, com D. Gabi, sua mulher, teve catorze filhos. Os partos eram domésticos. Não havia obstetras. Eram as parteiras as encarregadas de trazer à luz os rebentos. Pois Coelho Neto, na proximidade da chegada de mais um filho, enchia a casa de amigos. Estes ficavam a fumar, gargalhar, a falar alto, com exclamações exageradas, enquanto d. Gabi sequer poderia expandir a sua dor, seus sofrimentos ou sequer gemer. 
 
A explicação é que Coelho Neto se casou muito cedo. Como a vida boêmia transcorria nos cafés, e ele, casado, não podia ir toda a noite a um deles, transformava o seu lar na roda de companheiros que ali permaneciam até alta madrugada. 
Coelho Neto foi prolífico. Escreveu mais de cem livros. Conquistou o sucesso e a malquerença de alguns colegas. Deve ser resgatado, pois foi um dos primeiros autores a manifestar preocupações ecológicas. combateu o desmatamento e as queimadas, deixando manifestos tais como o que diz: "Com a morte das árvores, desaparecem as fontes: rios que rolavam águas abundantes derivam agora de filetes rasos e tão escassos que uma quente semana de verão é bastante para secá-los; a caça rareia".
 
Veja-se que a literatura se antecipou à própria ciência, para alertar os brasileiros de que o fabuloso patrimônio ecológico dependia do clima, que depende da humanidade para propiciar a continuidade da vida. 
 
Mas era um ser muito especial, que o diga D. Maria Gabriela Brandão, a D. Gabi, sua esposa desde o ano de 1890, mãe de seus catorze filhos.
 
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo. 

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