Engenharia do Cinema

'Valor Sentimental' se mostra como o filme mais humano e doloroso de 2025

Drama é o grande concorrente de 'O Agente Secreto'

Mubi/Divulgação

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Vencedor do Grand Prix no Festival de Cannes 2025, considerado o segundo prêmio mais importante do evento, atrás apenas da Palma de Ouro, o drama "Valor Sentimental" vem se mostrando tão forte quanto "O Agente Secreto" nas principais premiações do cinema.

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A produção dinamarquesa, dirigida por Joachim Trier, causou grande impacto em sua exibição no evento francês. Além do reconhecimento oficial, o longa foi ovacionado por 19 minutos ininterruptos, um feito raramente alcançado na história do festival.

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Repetindo a parceria de sucesso com Renate Reinsve após "A Pior Pessoa do Mundo", Trier apresenta aqui sua obra mais pessoal. O cineasta estabelece um cenário comum na indústria cinematográfica e constantemente retratado: os conflitos familiares.

A trama gira em torno da relação entre Nora (Reinsve) e sua irmã Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas), que se veem obrigadas a enfrentar os fantasmas do passado ligados ao pai, o renomado cineasta Gustav Borg (Stellan Skarsgård). Ausente e responsável por diversos traumas em ambas, ele ressurge com o roteiro de um novo filme, planejando ter Nora como protagonista. Entretanto, o convite acaba desencadeando um embate ainda maior.

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O roteiro de Eskil Vogt e do próprio Trier traça paralelos entre Nora e Gustav, estabelecendo uma ligação comum por meio de Agnes que, mesmo lidando com mágoas em relação ao pai, não às externa com a mesma intensidade que a irmã. Embora ela tenha atuado em um filme do pai durante a infância, isso sequer auxiliou a relação entre eles.

Em uma atuação impecável, Reinsve demonstra logo em sua primeira aparição o peso dos medos e dúvidas que Nora carrega. Como escolheu a atuação para extravasar seus problemas pessoais, a personagem enfrenta uma severa crise de ansiedade antes de se apresentar em uma peça importante.

Ao surgir no longa, Skarsgård não apenas impõe uma presença enorme, como permite ao espectador, aos poucos, familiarizar-se com as origens dos problemas que levaram aos conflitos com a mãe de suas filhas. Ele nunca é descrito como um vilão, mas apenas um pai deslocado da realidade.

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Nesse cenário, Trier faz questão de criar um contraste: enquanto Gustav é um cineasta renomado e respeitado publicamente, sua vida familiar é marcada pela fragilidade. 

É nesse contexto de carência que ele desenvolve uma relação com a atriz Rachel Kemp (Elle Fanning), uma grande estrela de Hollywood que surge para suprir a ausência de Nora. Logo, ele resolve escalá-la para substituta da sua própria filha como protagonista em seu novo filme, que curiosamente vai ser rodado na sua antiga casa onde cresceu com elas durante a infância.

Como o próprio título sugere, "Valor Sentimental" termina como um longa para ser absorvido ao invés de apenas vivenciado. 

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