Engenharia do Cinema
Direção é assinada por Timur Bekmambetov
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Filmado em maio de 2024, "Justiça Artificial" ficou quase dois anos engavetado sem um motivo aparente pela Amazon Studios/MGM. Estrelada por Chris Pratt e Rebecca Ferguson, a produção usufrui do famoso recurso Screen Life (no qual boa parte da narrativa é acompanhada por aplicativos em uma tela) e explora, mais uma vez, a interação da inteligência artificial com os seres humanos.
Entretanto, sem um motivo aparente (talvez pela curta janela de lançamento no streaming, visto que é um título que dentro de algumas semanas estará no Prime Video), encontrar uma cópia em 3D deste título, pelo menos no Brasil, foi mais difícil do que achar uma agulha no palheiro. O que me fez assistir na versão em 2D.
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Embora se trate de um formato convertido, o trabalho do diretor Timur Bekmambetov ("O Procurado") foi nitidamente pensado para ser aproveitado com os famosos óculos de terceira dimensão.
A história gira em torno do detetive Chris Raven (Pratt), que repentinamente acorda como réu em um julgamento totalmente projetado por inteligência artificial. Nele, ele terá de provar para a juíza Madoxx (Ferguson) que não assassinou sua esposa (Annabelle Wallis), embora o sistema que ele mesmo ajudou a promover aponte que ele provavelmente cometeu o crime.
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O roteiro de Marco van Belle brinca com as diversas possibilidades de busca de provas, desde aplicativos tradicionais, como Instagram, até câmeras de rua, conversas em celulares e a interação com pessoas de sua rotina que possam ter algum indício.
Mesmo que Bekmambetov usufrua de enquadramentos constantes nos rostos de Pratt e Ferguson para transpor uma sensação de angústia diante do cenário onde tudo pode acontecer em milésimos de segundo, faltou uma conexão com os personagens para que nos importássemos com eles em um primeiro momento.
A trama começa a andar, de fato, da metade para o final, quando o roteiro parte para explorar além daquilo que já havia sido mostrado. É quando entra a policial Jacqueline 'JAQ' Diallo (Kali Reis), que vira uma espécie de "apoio" a Chris, uma vez que a IA nem sempre consegue ter acesso a tudo.
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E é nesta hora que o roteiro vai um pouco na contramão da tendência habitual, ao estabelecer uma reflexão: a IA realmente chegou para servir ao ser humano ou seria o oposto?
"Justiça Artificial" termina como um divertido blockbuster de ação, mas nada que consiga fugir de um entretenimento simples de 90 minutos.
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