Engenharia do Cinema

'Pânico 7' não sente vergonha de ficar na zona de conforto e isso ainda é bom

Longa é dirigido por Kevin Williamson

Paramount Pictures/Divulgação

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Após as saídas de Melissa Barrera e Jenna Ortega da franquia "Pânico" — devido às polêmicas declarações da primeira em favor da Palestina —, a Paramount Pictures se viu em um cenário delicado, visto que Neve Campbell já não havia retornado ao sexto filme por conta do baixo cachê. 

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Para contornar a situação, o estúdio não apenas resolveu aumentar os ganhos da atriz, como também pagou US$ 500 mil aos roteiristas Guy Busick e Kevin Williamson (um dos criadores da saga) para reescreverem o longa. Este último, inclusive, assumiu pela primeira vez o posto de diretor em um filme da franquia.

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Agora, a história volta a focar em Sidney Prescott (Campbell), que vive uma vida tranquila com o marido Mark (Joel McHale) e a filha Tatum (Isabel May). Entretanto, diante de uma nova série de ataques do Ghostface, ela percebe que precisará voltar à ativa.

Diferente dos seis capítulos anteriores, que são dependentes uns dos outros e fazem menções constantes a outros longas de terror, este sétimo filme parece buscar vida própria. Em outras palavras: quer se distanciar um pouco do quinto e sexto filmes para apresentar a saga a um novo público.

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Enquanto Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett optaram pelo uso excessivo de sangue e violência, Williamson utiliza esses recursos de forma mais sucinta, aplicando-os apenas quando necessário — ainda que duas mortes em específico façam o espectador se remexer na cadeira devido ao sadismo do Ghostface.

No combate ao vilão, é gratificante ver Campbell de volta ao papel de Sidney. Além disso, a relação "oito ou oitenta" com Gale (Courteney Cox) apresenta um reflexo positivo, considerando tudo o que a dupla enfrentou até aqui. Entretanto, o roteiro ainda comete gafes em certas atitudes de ambas, que poderiam ter sido evitadas com um texto menos facilitado.

Em contrapartida, o retorno de Stu (Matthew Lillard), ao mesmo tempo que é impactante, surge como um fator questionável. Em uma era onde vídeos feitos por inteligência artificial são cada vez mais normalizados, o retorno de um personagem morto no filme de 1996 gera debate.

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Mesmo assim, é impossível não lembrar de sua recente participação em "Five Nights At Freddy's 2", que também conta com Mckenna Grace no elenco — embora aqui ela tenha um papel relativamente menor. O mesmo pode-se dizer dos irmãos Chad (Mason Gooding) e Mindy (Jasmin Savoy Brown), que provavelmente se consolidam como coadjuvantes fixos.

Já a inserção de Tatum poderia ter sido melhor trabalhada; ao contrário de personagens como Jill (Emma Roberts), ela não consegue fugir do rótulo de ser "apenas a filha de Sidney e Mark". O mesmo vale para seus amigos e colegas, cujo destino já é previsível e nem mesmo cogitamos se um deles pode ser o Ghostface.

Essa revelação, inclusive, consegue ser um verdadeiro balde de água fria, pois além de ser pior que o foi apresentado no terceiro filme (que é o mais fraco da saga), qualquer fã da saga ou espectador que já conhece o estilo, pode 

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"Pânico 7" começa com o potencial de ser tão audacioso quanto os dois capítulos anteriores, mas acaba recuando para sua zona de conforto com o claro propósito de garantir a continuidade da franquia em um futuro próximo.

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