Engenharia do Cinema

Montagem em 'Caminhos do Crime' é o grande segredo para prender o público

Longa conta com um elenco de peso

Sony Pictures/Divulgação

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Nos últimos anos, os estúdios de cinema têm optado cada vez mais por lançar nas telonas franquias ou produções de forte apelo, em vez de longas com pegada de suspense policial.

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No caso de "Caminhos do Crime", pode-se dizer que se trata de uma exceção à regra, visto que, assim como o recente "Justiça Artificial", foi concebido para preencher o catálogo do Prime Video, mas com uma breve passagem nos cinemas. Em outras palavras: há uma "degustação" para o grande público antes de a obra ser disponibilizada no streaming.

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Baseada no livro de Don Winslow, a trama gira em torno de histórias paralelas interligadas pelo roubo de joias, em que o ladrão Davis (Chris Hemsworth) decide realizar seu último trabalho para seu superior (Nick Nolte). Simultaneamente, o policial Lou (Mark Ruffalo) inicia uma investigação massiva sobre as ações de Davis, enquanto a dupla encontra um potencial auxílio na agente imobiliária Sharon (Halle Berry).

O diretor e roteirista Bart Layton sabe que esse tipo de narrativa possui dois caminhos: o original e o clichê. Neste contexto, ele opta por ambos, utilizando técnicas simples de edição e montagem para captar a atenção do espectador.

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Um exemplo disso é o jantar entre Davis e Maya (Monica Barbaro), no qual o primeiro afirma que não queria comer ali e pensava em outro lugar; a cena corta imediatamente para Lou e sua ex-companheira (Jennifer Jason Leigh) em uma lanchonete, num clima totalmente oposto. Situações como essa funcionam não apenas como alívios cômicos, mas também como complementos da narrativa, principalmente no clímax.

Quanto às atuações, embora 90% do elenco seja apenas operante e Hemsworth atue como o galã ideal para este tipo de personagem, uma vez que não lhe é exigida grande carga dramática, o destaque no antagonismo fica para Barry Keoghan, intérprete de Ormon. 

Ao mesmo tempo que se mostra desastrado em seus roubos, ele possui uma personalidade violenta e psicótica, tornando seus passos imprevisíveis. Entretanto, pode-se dizer que este é mais um "maluquinho" que Keoghan vive nos cinemas, após "O Sacrifício do Cervo Sagrado" e sua breve aparição como Coringa em "Batman".

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Em contrapartida, Ruffalo não apenas interpreta uma pseudo-sátira de si próprio, onde quem se recorda de seu comportamento atrás das câmeras vai cair nas gargalhadas em algumas horas (principalmente no seu primeiro diálogo).

Entretanto ele acaba sendo o nome mais fraco do elenco, por não demonstrar entrosamento com a energia dos demais personagens.

Por fim, "Caminhos do Crime" consegue fazer com que sua montagem roube a cena de um elenco de peso.

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