Engenharia do Cinema

Devoradores de Estrelas: Ryan Gosling brilha em ficção científica que já nasceu clássica

Longa mescla 'interestelar' com 'Perdido em Marte'

Sony Pictures/Divulgação

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Há cerca de 11 anos, "Perdido em Marte" chegou aos cinemas sem muito alarde e logo se tornou um dos filmes mais populares de Ridley Scott e do ator Matt Damon que, inclusive, recebeu uma indicação ao Oscar pelo papel. Inspirada no livro de Andy Weir, era questão de tempo para Hollywood adaptar outra de suas histórias, o que aconteceu agora com "Devoradores de Estrelas".

Bem aos moldes da produção de Scott, mas mesclada a "Interestelar" e "E.T. - O Extraterrestre", a obra traz Ryan Gosling ("Barbie") em um de seus papéis mais desafiadores, visto que ele atua boa parte do tempo com o "nada". Felizmente, os diretores Phil Lord e Christopher Miller ("Tá Chovendo Hambúrguer") sabem como contar uma história de forma equilibrada entre o cartunesco e o dramático.

A trama gira em torno do professor de ensino médio Ryland Grace (Gosling), que se torna a principal esperança da humanidade ao descobrir uma forma de vida capaz de salvar o Sol de uma extinção iminente, o que resultaria no fim da vida na Terra. Ao ser enviado ao espaço, ele descobre que seus dois companheiros morreram no caminho. Entretanto, tudo muda quando ele encontra um ser alienígena com quem estabelece uma amizade improvável.

O roteiro de Drew Goddard (também responsável por "Perdido em Marte") consegue aguçar nossa curiosidade em torno da trajetória de Grace, utilizando uma montagem que opta por flashbacks. Mesmo que haja uma estranheza inicial, devido à grande diferença de estilo narrativo entre os núcleos, quando conseguimos adentrar na trama, não saímos mais.

Muito desse mérito vem da atuação de Gosling. Além de contracenar com o vazio, sua relação com o alienígena Rocky é construída de forma natural, a ponto de nos preocuparmos com ambos e entendermos como essa conexão foi vital para a sobrevivência deles. Esse aspecto é muito bem conduzido pela dupla de diretores; em determinado ponto, os flashbacks param de interromper o ritmo e passam a complementar explicações essenciais, como o fato de Grace ter sido enviado ao espaço sem nenhum preparo.

Além disso, há referências pontuais, como a analogia com a canção "Starman", de David Bowie (que coincidentemente integra a trilha de "Perdido em Marte"), e "Sign of the Times", de Harry Styles. Esta última, cantada pela personagem de Sandra Hüller (Eva Stratt), transpõe com perfeição o sentimento de melancolia da personagem durante a narrativa.

No que tange aos quesitos técnicos, o trabalho da equipe é incrível. Sentimos que foram priorizadas sequências envolvendo efeitos práticos em vez de um CGI genérico, que apenas "facilitaria" o trabalho. A fotografia de Greig Fraser (vencedor do Oscar por "Duna") torna o longa ideal para ser conferido na tela grande. A concepção de Rocky também foi outro acerto: além de roubar a cena, sua interação com Grace é uma das melhores coisas que o cinema apresentou em 2026.

"Devoradores de Estrelas" é o exemplo perfeito de produção que exige a experiência do cinema: um balde de pipoca e uma tela gigante com som e imagem de alta qualidade.

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