Engenharia do Cinema
Filme de Ethan Coen é uma sequência de erros
Universal Pictures/Divulgação
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Após dirigir a comédia pastelão "Garotas em Fuga", o cineasta Ethan Coen aproveitou a boa relação com a atriz Margaret Qualley e a trouxe novamente como protagonista de "Honey, Não!".
Mesmo que o longa mantenha a pegada pastelão do antecessor, há uma atmosfera satírica que remete ao estilo noir e aos filmes de investigação. No entanto, o excesso de humor sexual e as piadas que se resumem à escatologia acabam minando o potencial de uma comédia que havia começado bem.
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A história gira em torno da detetive Honey O'Donahue (Qualley), que resolve investigar um misterioso acidente. À medida que a trama avança, ela descobre uma seita liderada pelo Reverendo Drew (Chris Evans) e inicia um envolvimento amoroso com a policial MG (Aubrey Plaza).
É perceptível que este projeto tenha passado por problemas em sua produção, visto que muitos elementos apresentados não conseguem ser devidamente explorados. Se, por um lado, a vida pessoal de Honey é carregada por traumas familiares e uma irmã que tem diversos filhos, por outro, sua relação com MG soa como um balde de água fria na narrativa.
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Da mesma forma, o reverendo interpretado por Evans tinha um potencial interessante, mas suas cenas se resumem a insinuações sexuais baratas. Faltou mais acidez no desenvolvimento do trio central, uma vez que o desfecho de seus arcos passa a mesma sensação de um aluno que entrega a prova final ao professor antes mesmo de terminá-la.
"Honey, Não!" termina como mais um tremendo descuido de Ethan Coen e um sinal de que ele precisa, urgentemente, retomar a parceria de sucesso com seu irmão, Joel.
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