Cuidando Com Ciência Pet
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Há um momento na vida de todos nós, donos de pets que parece ser impossível de imaginar: a despedida. Eles vivem menos que nós, isso parece injusto e difícel de aceitar. Conviver com um animal de estimação é construir esse pacto silencioso, pois em algum momento, nós acompanharemos o fim de sua jornada.
Existe uma crença bonita, conhecida como a “Ponte do Arco-Íris”, que diz que, quando partem, nossos animais atravessam um lugar de paz, onde não há dor, apenas espera. A espera até o dia em que possamos nos reencontrar. Pode ser uma metáfora, mas, para muitos corações, é também um conforto.
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Amar um animal é um vínculo que nem sempre se explica, se sente. Eles ocupam um papel profundo e significativo em nossas vidas, são companhia, acolhimento, presença silenciosa nos dias difíceis. Além de demonstrarem impacto positivo na saúde mental, auxiliando no controle de transtornos psiquiátricos como ansiedade e depressão, a Ciência já vem demonstrando de forma consistente, esses efeitos, ao longo dos anos.
Lembro bem que durante a pandemia, essa relação ficou muito mais evidente, quando vivíamos um período de incertezas, isolamento, medo, o número de adoções aumentou muito, e foram eles, os animais de companhia que ocuparam espaço como suporte emocional, presença constante e companhia quando o mundo todo parecia tão distante. Eles estavam sempre ali.
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Eles nos ancoram no presente, nos oferecem rotina, afeto, responsabilidade e amor incondicional. Talvez por isso a despedida seja tão dolorida.
O luto por um animal de estimação jamais deve ser diminuído. Ele é real, profundo e legítimo. É como perder um grande amigo presente em tantos momentos importantes da vida, é como perder uma parte da nossa própria história.
E esse luto também é sentido pelos outros animais que conviviam com o amigo que partiu, eles podem apresentar tristeza, apatia, falta de apetite e até adoecerem. Por isso é importante para quem ficou dedicar presença, manutenção da rotina, carinho, acolhimento e se necessário, acompanhamento veterinário.
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Antes da despedida existe um caminho importante que é sinônimo de amor e cuidado, ao oferecermos alimentação adequada, controle de peso, avaliação médica, check ups, lazer e atividade física, podemos proporcionar um envelhecimento tranquilo e com saúde. Doenças graves podem ser diagnosticadas de forma precoce, quando há um olhar atento e preventivo, favorecendo um tratamento e controle de forma adequada, refletindo em longevidade, qualidade de vida e conforto para quem amamos tanto.
Para nós, veterinários, existe um peso profissional muito grande, pois precisamos por muitas vezes apontar situações complicadas, dar diagnósticos difíceis, comunicar que um animalzinho partiu ou indicar a eutanásia quando já não existem possibilidades de cura e quando já existe sofrimento.
Como seres humanos, nós também compreendemos o vínculo que existe alí, muitas vezes é um filho, é um irmão, um membro da família, nunca é somente um animal, sendo essa talvez a parte mais dura e difícil de nossa profissão.
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E falando sobre esse ponto tão delicado que é a eutanasia, aproveito essa oportunidade mesmo sendo algo difícil de debater, carregado de muita dor e culpa, que o procedimento quando eticamente indicado, não significa desistir, mas sim, libertar. Libertar quem a gente ama da dor, mesmo que ela parta nosso próprio coração, sendo assim um grande ato de amor.
A morte, também pode ser natural e desde que possamos nos preparar para esse momento, oferecendo conforto, dignidade e ausência de dor até o fim, ela deve ser eximida de culpa e carregada de paz.
Eles vivem menos que nós, mas o suficiente para nos ensinar sobre amor verdadeiro, lealdade, resiliência. Nos ensinam sobre a necessidade de viver o presente, encontrar alegria nas pequenas coisas diárias e amar sem reservas, pois para eles, a vida nunca será sobre tempo, mas sobre intensidade.
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E talvez por isso que eles deixam tanto de si quando partem.
Fernanda Vasconcelos Monsalvo é médica veterinária formada pela UNESP, com atuação em clínica médica de pequenos animais, pós graduada em endocrinologia e metabologia e nutrição funcional de cães e gatos. Dedica-se ao acompanhamento individualizado de pacientes, com foco em medicina baseada em evidências e qualidade de vida.
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