A Copa do Mundo vai monopolizar as atenções do noticiário por quase 40 dias em 2026. Mas é outro esporte que vem roubando a cena e apresentando um crescimento impressionante em Santos e no restante do Brasil: o tênis.
As academias de tênis da cidade fazem malabarismos em suas agendas para acomodar novos praticantes, cada vez mais animados a aprender os golpes deste esporte tão encantador quanto desafiador. Os clubes santistas vêm recebendo um volume expressivo de novos sócios em busca de quadras. Na Liga Santista de Tênis, circuito de torneios amadores da cidade, as vagas para homens iniciantes costumam se esgotar em poucos minutos.
Os números ajudam a explicar o fenômeno. Dados divulgados por emissoras e plataformas de streaming mostram que o tênis vive um momento muito forte de audiência, especialmente em partidas envolvendo Novak Djokovic, Carlos Alcaraz, Jannik Sinner e, no Brasil, João Fonseca, o talentoso carioca que desponta como uma das maiores promessas do esporte mundial. Ao mesmo tempo, plataformas como Netflix e Amazon Prime Video investem cada vez mais na produção de documentários e séries para acompanhar a trajetória das grandes estrelas das quadras.
Segundo a Federação Internacional de Tênis, o Brasil tinha cerca de 2,6 milhões de praticantes em 2021. Em 2024, esse número saltou para 4,1 milhões. E tudo indica que o crescimento tenha continuado nos últimos dois anos.
Mas o que explica esse verdadeiro boom?
Poucos esportes conseguem reunir, ao mesmo tempo, tanta exigência técnica, física e mental quanto o tênis. O tenista precisa desenvolver coordenação, resistência, estratégia e controle emocional. Cada ponto exige uma sequência de decisões tomadas em questão de segundos. E, diferentemente de muitos esportes coletivos, não há muito espaço para dividir responsabilidades e terceirizar a culpa.
A pandemia também contribuiu para acelerar esse movimento. Em um período em que muitas atividades foram interrompidas, o tênis se mostrou uma alternativa segura para a prática esportiva e conquistou milhares de novos praticantes. Na mesma época, a carismática Bia Haddad viveu o auge de sua carreira, alcançando resultados expressivos, incluindo uma semifinal de Roland Garros, e ajudando a ampliar a visibilidade da modalidade no país.
Entre 2024 e 2025, um furacão passou a impulsionar o esporte: João Fonseca. Com seu estilo agressivo, o carioca rapidamente se transformou em um dos atletas mais comentados do circuito. O ex-número 1 do mundo Andy Roddick resumiu bem a percepção do mercado ao afirmar: “Esse garoto vai ser um problema para muita gente no circuito”.
Mas o sucesso do tênis vai muito além das raquetadas.
O esporte cria identidade, fortalece o senso de pertencimento e conecta pessoas que compartilham valores, estilo de vida e aspirações semelhantes. Para muitos tenistas, a quadra é também um ambiente de convivência, networking e construção de relacionamentos.
Talvez por isso o tênis também tenha despertado o interesse de tantas empresas. As marcas perceberam que o esporte oferece algo cada vez mais raro: acesso a uma comunidade altamente engajada e com forte poder de consumo. Não se trata apenas de exibir um logotipo em um evento ou uniforme, mas de participar de um ambiente onde confiança, relacionamento e recomendação exercem forte influência sobre as decisões de consumo.
Em um mundo cada vez mais fragmentado, o tênis oferece às pessoas e às marcas algo valiosíssimo: a oportunidade de fazer parte de uma comunidade.
Se você se empolgou para jogar tênis depois de ler esta coluna, só posso deixar uma recomendação: comece. As chances de se arrepender são muito pequenas.
