Enquanto os noticiários não param de alardear o tomate, a batata inglesa e o leite como grandes vilões da inflação em março, alguns alimentos de grande aceitação popular deveriam receber o título de herois na defesa do bolso dos consumidores. Na contramão da alta sem precedentes no valor dos alimentos, frutas como o melão, a manga, o mamão e a banana ficaram bem mais baratos em março. Em todos esses casos, a queda se manteve nas primeiras semanas de abril, o que garante uma sobremesa saudável e acessível para todas as classes sociais.
O principal destaque nessa relação de ofertas das feiras-livres foi o melão orange, cujo preço caiu pela metade no mercado atacadista de São Paulo. Essa queda se intensificou na última quinzena de março e também beneficiou o melão amarelo, que registrou quedas entre 20% e 25%. Na variedade net melon a redução foi mais modesta, de apenas 10%.
No caso do mamão havaí, o tombo no preço variou entre 24% e 31% no mercado atacadista paulista, dependendo do tamanho da fruta. No mamão formosa, a queda foi mais suave, com retração de 12,5%. A manga haden teve redução de até 15% e a tommy manteve preços estáveis.
Entre as bananas, a prata foi a que apresentou o maior recuo, com preços até 11% mais baratos no atacado. Em São Paulo, a maçã também registrou queda em março, mas só na variedade fuji, com redução de até 25%.
Na Ceagesp, em março e início de abril também houve recuo no preço de outras frutas, como o caqui e a jabuticaba, cujo preço no atacado chegou a cair pela metade, embora o valor pago pelo quilo continue elevado (R$ 11,00/kg).
Atenção ambientalistas!
A bancada ruralista no Congresso Nacional volta à carga para tentar emplacar a transformação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) em pomares comerciais. A medida havia sido aprovada em plenário durante a votação do Código Florestal, em 2013, mas foi vetada pela presidente Dilma Rousseff.
Veneno na água…
O plantio de árvores frutíferas com interesse comercial na beira dos rios (APPs) em substituição às árvores nativas, como querem os ruralistas, vai levar pesticidas e herbicidas químicos utilizados nas lavouras para dentro dos rios. Isso, irremediavelmente, contaminaria a água servida a você, leitor, aí na cidade.
…servida aí na cidade!
O projeto que altera o Código Florestal e autoriza a transformação das margens de rios em pomares comerciais foi aprovado no início do mês, na Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento da Câmara dos Deputados.
Peixe em oferta…
Para quem não abre mão do peixe na Semana Santa, a melhor opção de compra é a sardinha fresca tamanho grande, cujo preço caiu 33% no atacadão da Ceagesp do dia 1º de abril até ontem.
…para a Semana Santa…
Nos primeiros nove dias do mês, o preço da anchova congelada registrou uma queda de quase 32% e a cavalinha ficou 29% mais barata. Os valores da garoupa e da lula tiveram ligeiras reduções no mercado atacadista. A pescada e o linguado mantiveram preços estáveis neste período que antecede a Semana Santa.
… fuja do robalo!
Quem quiser economizar deve fugir do robalo, que ficou 24% mais caro desde o início do mês. O preço do salmão subiu 10% no mercado atacadista.
Filosofia do campo:
“O meu pai foi peão, minha mãe solidão, meus irmãos perderam-se na vida em busca de aventuras. Me disseram porém que eu viesse aqui pra pedir de romaria e prece paz nos desaventos. Como eu não sei rezar, só queria mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar…”
Renato Teixeira, in Romaria