A adição criminosa de produtos químicos no leite poderia ser evitada se o Ministério da Agricultura fosse mais rígido na fiscalização e cumprimento da Instrução Normativa 51. Desde 2002 em vigor, o documento estabelece uma série de regras para ordenha, transporte a granel e pasteurização do leite, mas, por pressão dos produtores, a aplicação dessas normas foi sucessivamente adiada. Estima-se que 300 mil litros de leite contaminado com substâncias cancerígenas tenham sido comercializados em fevereiro no Paraná e em São Paulo pelas marcas Líder e Parmalat. Em 2013, 25 pessoas foram presas no Rio Grande do Sul e outras 26 foram condenadas pela Justiça de Minas Gerais por adulterações no leite.
Além da adição criminosa de produtos químicos, o descaso em relação à Instrução Normativa incentiva a falta de higiene na coleta e no transporte entre as fazendas e o laticínio. Nos pequenos sítios, o despreparo da mão-de-obra torna quase impossível a adoção de regras mínimas de higiene, como a lavagem das mãos antes da ordenha. Isso facilita a contaminação biológica e acelera a deterioração do leite.
A falta de confiabilidade na energia elétrica na zona rural também prejudica a conservação nas fazendas que contam com resfriadores para armazenar o produto.
Do campo aos laticínios, ainda é comum o transporte do leite em caminhões não-refrigerados e sob calor intenso. Mas é a ganância que leva à adição de água e de substâncias cancerígenas no leite, como formol, soda cáustica e ureia agrícola.
Enquanto isso, na cidade, o consumidor bebe, sem saber, um produto de qualidade duvidosa e até 300% mais caro do que é pago ao produtor na porteira da fazenda.
Dilma e a esquerda
Dilma Rousseff acertou ao nomear Miguel Rosseto para o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Rosseto ajudou Lula a estruturar o MDA em 2003 e tem todo o respeito dos movimentos sociais.
Tucano na agricultura
Em 2003, Rosseto encontrou R$ 2,3 bilhões deixados por FHC para financiar a agricultura familiar. Agora, terá R$ 20 bilhões para incentivar os pequenos. A agricultura familiar produz 70% dos alimentos servidos na mesa dos brasileiros.
Frio e inflação
O frio deve começar mais cedo este ano. A expectativa dos meteorologistas é de geadas já a partir de maio nas regiões Sul e Sudeste. Isso não é nada bom para agricultura e pecuária, muito menos para o bolso de vocês, aí na cidade.
Vai doer no bolso!
Quem gosta de café deve se precaver porque, a partir desta semana, as empresas aumentarão em até 35% o preço do produto torrado e moído.
Maçã menor…
A safra de maçã a ser colhida nos próximos meses nas serras gaúcha e catarinense terá frutas menores e de pior aparência. O motivo é o clima quente e seco em dezembro e janeiro. Em fevereiro, uma chuva de granizo completou o serviço.
… maçã mais barata
Em um mês, o mercado atacadista de SP registrou baixa de 10% no valor da maçã gala. A red argentina também está ladeira abaixo. A fuji mantém tendência de alta.
Verdura em conta…
O preço de algumas hortaliças começa a cair no mercado atacadista. É o caso da acelga, beterraba, cenoura, chicória, couve de bruxelas e rabanete, que ficaram ligeiramente mais baratos desde o começo do mês.
…rúcula, repolho!!!
Já a cebolinha, a rúcula, o salsão e o repolho liso registraram as quedas mais consistentes em março na Ceagesp.
Frase
Filosofia do campo
“Colírio pra dedo-duro é pimenta malagueta/Sopa de vidro é banquete pra cagueta /A coisa tá feia, a coisa tá preta… Quem não for filho de Deus, tá na unha do capeta…”
Tião Carreiro e Pardinho, músicos, in A Coisa Tá Feia.