Alimento está 15% mais caro no Litoral por falta de uma ceasa regional

Com uma ceasa regional, verduras e legumes poderiam ficar 15% mais baratos no litoral. Esse é o caso especialmente de hortaliças produzidas no Cinturão Verde da Grande São Paulo

A má distribuição das centrais atacadistas de alimentos está prejudicando as finanças das famílias do litoral. Em todo o Estado, há 13 ceasas públicas, mas nenhuma delas está instalada na Região Metropolitana da Baixada Santista. Isso aumenta o custo com frete e com mão-de-obra, incentiva a ação de atravessadores e desestimula a produção regional de alimentos, com impacto negativo também na geração de empregos. Com uma ceasa regional, verduras e legumes poderiam ficar 15% mais baratos no litoral. Esse é o caso especialmente de hortaliças produzidas no Cinturão Verde da Grande São Paulo.

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Mas o impacto no bolso dos consumidores do litoral poderia ser ainda maior porque essa economia de 15% leva em conta apenas a despesa com o frete, sem incluir o custo com mão-de-obra e o lucro de atravessadores.

O abatimento no preço seria maior em produtos com preços inferiores a R$ 1,00 o quilo no mercado atacadista de São Paulo. Esse é o caso, por exemplo, de alface, acelga e repolho, portanto mais consumidos pela população de baixa renda.

Para chegar ao litoral, a maioria das verduras e legumes produzidas na região de Mogi das Cruzes, Salesópolis, Suzano e Biritiba Mirim passa antes pelo entreposto da Ceagesp, na Capital, onde é descarregada. Daí, em geral, essas hortaliças voltam a ser carregadas em outro caminhão para serem trazidas ao litoral.

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Ora, se esses alimentos pudessem ser descarregados diretamente na Baixada Santista, em larga escala, a distância percorrida por esses caminhões cairia pela metade, assim como o custo com o frete e a mão-de-obra.

Isso ocorreria porque os veículos de carga não precisariam pegar o trânsito congestionado das estradas que levam às avenidas marginais para descarregar na Ceagesp. Bastaria descer a serra pela Rodovia Mogi-Bertioga e, daí, acessar a Rio-Santos e a Cônego Domenico Rangoni, com uma economia de aproximadamente 70 quilômetros.

Legumes, palmito e banana produzidos no Vale do Ribeira também sobem a serra para, depois, descê-la, o que também aumenta o frete. O mesmo ocorre com alimentos oriundos de outros estados, que poderiam ser descarregados diretamente aqui, sem passar por São Paulo.

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No caso do coco, tão consumido nas praias do litoral, esse custo adicional fica ainda mais evidente. Na Ceagesp, o preço oscila em torno de R$ 0,50 há semanas. Aqui, no varejo, o consumidor paga até R$ 4,00. Porém, nesse caso, o sobrepreço também ocorre porque os comerciantes adotam uma margem de lucro exagerada.

Outras regiões do Estado

Das cinco regiões metropolitanas do Estado, apenas Campinas e a Baixada Santista não dispõem de ceasas regionais. A diferença é que a região de Campinas tem à disposição três centrais atacadistas públicas num raio de apenas uma hora de viagem. A má distribuição de ceasas pelo Estado fica ainda mais evidente no Vale do Paraíba. Com uma população de pouco mais de dois milhões de habitantes, o equivalente à soma dos moradores da Baixada e do Vale do Ribeira, a região de São José dos Campos abriga duas centrais atacadistas.

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A instalação de uma ceasa regional em Cubatão chegou a ser debatida no âmbito do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) no início deste século, mas a proposta nunca saiu do papel.

A área necessária para um empreendimento do gênero varia de dois mil a 12 mil metros quadrados. Juntas, as 12 centrais atacadistas do Interior comercializam 350 mil toneladas de frutas, verduras, legumes, pescados e flores por mês. Ou seja, diariamente são vendidas quase mil toneladas de alimento in natura a preços mais baixos em cada ceasa regional.

Apesar dos benefícios para consumidores, varejistas, hotéis, bares e restaurantes, a Diretoria Técnica Operacional da Ceagesp admite que não existe nenhum estudo visando a implantação de uma ceasa na Baixada Santista ou no Vale do Ribeira.

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Outro aspecto, talvez até mais importante que o preço final, é a diversidade de produtos colocada à disposição do comércio local. Só para se ter uma ideia, na Ceagesp são comercializadas 332 produtos diferentes, entre frutas, legumes, verduras, flores e pescados.