Veneno não faz bem

Imagem Gerada por IA/Google Gemini

Parece óbvio afirmar que veneno é prejudicial. Mas, de acordo com o comportamento da imensa maioria das pessoas, isso não é assimilado na vida cotidiana. Continuamos a consumir quantidade enorme de alimentos contaminados. Pois o uso excessivo de agrotóxicos não impacta só o ambiente. Compromete a saúde humana.

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Intoxicações, câncer, alterações neurológicas, respiratórias, cardiovasculares e malformações são apenas algumas dentre as principais consequências produzidas pelos agrotóxicos.

Um levantamento da FAO – Organização das Nações Unidas de Alimentação e Agricultura demonstra que o Brasil é o país com o maior consumo de agrotóxicos, seguido pelos Estados Unidos e pela Indonésia. Em 2021, 719,5 mil toneladas de agrotóxicos foram utilizadas em lavouras nacionais, o que mostra que o Brasil utiliza mais químicos sintéticos que os Estados Unidos e a China juntos.

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Não é só a quantidade do veneno utilizada na agricultura. Lamentavelmente, o Brasil utiliza agrotóxicos de forte intensidade e proibidos internacionalmente, como o tebuconazol. É um inseticida proibido na Europa porque pode provocar alterações no sistema reprodutivo e malformação fetal.

As consequências desse comportamento lesivo são de múltipla ordem. Não são apenas os trabalhadores rurais que manuseiam o veneno de forma direta. Os moradores de regiões próximas também são afetados.

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Pensa-se que o herbicida seja útil para eliminar pragas e ervas daninhas. Mas ele não atinge apenas o inimigo. Ele se espalha. E é altamente nefasto principalmente para os mais vulneráveis, como crianças e idosos. Empesteiam o ar, o solo, as águas dos rios e nascentes e mesmo os aquíferos, que não estão visíveis a olho nu.

É incrível que pesquisadores, cientistas, pessoas inteligentes e criativas, não promovam campanhas para proibir o uso de venenos e deixem de incentivar a disseminação da agricultura orgânica. O custo ainda maior dessa produção natural compensa a proteção da saúde de todos. E a preservação da qualidade de vida do planeta. Enquanto isso não for política pública séria e consistente, incumbe a cada família zelar pela saúde de seus membros. Pense nisso.

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*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.