Costuma-se dizer que o ser humano é a primícia na escala das criaturas. A única racional. Aquela criada à imagem e semelhança divina. Mas não parece que isso corresponda à realidade ou, ao menos, que ele se comporte de maneira compatível com seu status.
É que não entra na consciência humana o fato irretorquível de que o maior perigo que a sobrevivência enfrenta hoje é o cataclismo climático. Produzido por insensatez dos homens, que continuam a usar e a estimular a exploração do petróleo. Causador dos gases venenosos do efeito-estufa, que geram o aquecimento global e tornam louco e incontrolável o clima.
Tivéssemos juízo baniríamos os diesel, gasolina, gás natural fóssil e carvão. E adotaríamos apenas as energias limpas. O Brasil tem tudo para se tornar campeão na eólica, na solar, na das marés, na onda do hidrogênio verde, da biomassa.
Faríamos incidir sobre os veículos movidos a combustível fóssil uma tributação compatível com o mau que eles causam. Incentivaríamos os veículos movidos a etanol ou elétricos. Inibiríamos o uso de automóvel, incentivando o transporte coletivo.
Tornaríamos espaços centrais imunes ao gás carbônico, metano e outras partículas nocivas. Centro é para pedestre. Sem entrar esse intruso, que parece tomar conta das cidades. Construímos urbes para o automóvel e não para as pessoas.
Obrigaríamos a construção civil a mudar sua estratégia de só usar insumo cuja fabricação é geradora de poluição. As soluções deveriam ser de acordo com a natureza. Multiplicaríamos as iniciativas de “cidade esponja”, deixando de lado pesadas, dispendiosas, antiestéticas e insuficientes construções de cimento, concreto, ferro e aço.
Toda nova edificação deveria usar madeira, deixar espaço para drenagem e caprichar no verde. Entretanto, o que se vê mundo afora é o petropopulismo, o enaltecimento do vilão e o arrefecimento em políticas ecológicas tais como o ESG, que era tão promissor e tão urgente.
Tivéssemos juízo e o mundo seria diferente. Mais acolhedor, mais verde, mais resiliente e mais humano. Mas, lamentavelmente, parece que essa matéria-prima também está em falta no estoque humano. Assim como a ética, já extinta em todos os setores.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
