RUI, sempre atual

Google Gemini/Imagem Gerada por IA

Rui Barbosa foi considerado um dos brasileiros mais inteligentes e cultos que esta Terra de Santa Cruz já produziu. Tão bom, que só poderia perder as eleições presidenciais de 1910 para o tirânico Hermes da Fonseca.

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É muito comum a citação de um trecho seu, a constatar a situação à época, mas desabafo válido até hoje: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

Mas não foi essa a sua única frase tocante, que nos faz refletir e a pensar o que aconteceu com o Brasil.

Quando ocorreu o célebre atentado contra o primeiro Presidente Civil da novel República Brasileira, em 5.10.1897, ele teve de atuar na Sessão do Senado em que se decidiria se deputados e senadores envolvidos na trama poderiam ou não ser processados.

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Um dos suspeitos era o Vice-Presidente Manoel Vitorino, que se encantara com o poder, durante interinidade que assumiu por ocasião de enfermidade de Prudente. E Manoel Vitorino faltou à sessão. Rui chamou os colegas à ordem, pois o Parlamento de então já merecia reparos. Disse então, pedindo ao Criador lhes desse responsabilidade:

“Restitui-lhes [aos legisladores], Senhor, o senso das necessidades nacionais: dai ao governo brasileiro a coragem heroica da lei, incuti ao povo brasileiro o sentimento indômito do direito, livrai o soldado brasileiro da vertigem do sangue, ensinai-o a amar a obediência e a paz, a humanidade e a paciência, a pobreza e o sacrifício, que são as verdadeiras fontes da bravura. […] Senhor, libertai-nos da ambição política, em cujas garras esta Nação caiu como presa indefensa; permiti que a República Brasileira não tenha por colunas o jacobinismo e o terrorismo, mas o sentimento liberal e o sentimento religioso”.

Algo semelhante e talvez mais contundente não faria mal em nossos dias, quando tantas vezes o interesse comum é olvidado em prol de emendas discutíveis, de Fundos Partidário e Eleitoral e outras questiúnculas banais, que nada acrescentam em dignidade ao Parlamento tupiniquim.

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*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.