Em 2025, houve muitos incêndios em parques florestais. Só em São Paulo, foram mais de 160. E por que existem incêndios?
Não é combustão espontânea, como acontece em vários lugares, mercê da maldosa combinação entre escassez pluviométrica e elevação exagerada do calor. Aqui, as causas puderam mostrar que e o primeiro vilão é o balão. Aquela bela prática de fazer balões em junho, para “enfeitar o céu” de estrelas fabricadas por mãos humanas, converteu-se num pesadelo para a defesa civil
Na capital, os balões apreendidos não eram aqueles minúsculos artefatos que levitavam com pequenas tochas de parafina. São balões com mais de duzentas folhas de papel de seda, alimentadas por potentes tochas, às vezes mais do que uma.
O segundo vilão é a criminosa queima dos fios elétricos para retirar cobre. Quase sempre vendido para receptadores e revertido no sustento da dependência química de drogas dos ladrões. Não são a queima de um ou dois quilos. A polícia chegou a surpreender a combustão de centenas de quilos de fios. Criminosos que põem em risco a população de forma reincidente. Privado pessoas da energia elétrica e propagando incêndios em áreas protegidas.
A terceira causa é a de fogo aceso para manifestações religiosas. Para culminar as más notícias, o orçamento para evitar incêndios florestais reduziu em 17% a sua verba. Estão previstos R$ 495,8 milhões, ou R$ 101 milhões a menos que os R$ 596,9 milhões previstos para o ano passado. É a menor verba do mandato do atual presidente. A Ministra Marina Silva, sempre utilizada como “grife verde”, mas igualmente desprestigiada, havia pleiteado R$ 507,4 milhões e não descartou a possibilidade de obter recursos adicionais durante este ano.
Os ambientalistas lamentam. Como, aliás, têm muito a lamentar nesta era de ganância de braços dados com a ignorância. Pois a volta do El Niño é o cenário ideal para intensificar a potencialidade de incêndios. Já não basta a insanidade do PL da Devastação e ainda se acrescenta miséria à indigência, cortando verba para evitar incêndios.
E quem conhece o Brasil sabe que em ano eleitoral, muitas autoridades “fecham os olhos” para as calamidades provocadas diretamente pelos homens, para favorecer seus candidatos. É a experiência relatada por Ane Alencar, especialista em fogo e diretora de ciência do IPAM – Instituto de Pesquisa da Amazônia. Ela já percebeu que o foco na área ambiental diminui em período eleitoral, enquanto, lamentavelmente, aumenta o fogo. É preciso mais foco para ter menos fogo.
