Conversa de malandro

Unsplash/Sasun Bughdaryan

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Saudades dos tempos em que a criminalidade tupiniquim era exercida por indivíduos na verdade pouco perigosos. Houve até bandidos célebres, como o famoso Meneghetti, objeto de um livro do Professor Paulo José da Costa Júnior. 

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Alguns tipos foram objeto de descrições na literatura, como “Pingô”, personagem que Humberto de Campos menciona em seu “Diário Secreto”. Fora expulso da polícia e servia como porteiro de um jornal e se portava bem, servindo também como capanga, “e de capanga covarde, de cara patibular e corpo de jagunço”.

Muito mais tarde, Humberto o encontra no Rio. Estava a desfrutar um prestígio novo em sua classe, como cabo eleitoral. Entranhou-se na baixa política e era popular. Chegou a ir ao jornal “O Imparcial”, para agradecer a generosidade da imprensa em relação ao último crime que cometera: dera uma dúzia de facadas na mulher com quem vivia.

Indagado se ela morrera, respondeu que continuava com ela. Algo para ele muito natural. “Mulher só quer bem a gente quando a gente tira sangue dela!”. Contando sobre seu processo, invocou, de cor, vários artigos do Código Penal, sem esquecer parágrafos e incisos. Repetiu os trechos mais citados pelo promotor e pelo seu defensor. Então indaga-se: – “Porque você não tira um bacharelado e vai advogar?”. Sua resposta é instigante: “Qual, seu doutor, não vale a pena: o nosso Foro está muito desmoralizado!”.

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A sensação de que o sistema Justiça deixa a desejar não é coisa pouca em nossos dias. Uma série de fatores está na origem do desprestígio desse equipamento que só faz crescer, quantitativamente, e não consegue atender aos anseios da sociedade. 

A conversa de Pingô hoje mudou? Não nessa categoria. O crime só ganhou escala. Impregnou a sociedade. Está em todos os setores. O Brasil está gangrenado. Não se sabe mais com quem se está lidando. Isso é ruim e muito triste. 

Quando é que virá a profunda reforma estrutural da Justiça brasileira?