Cartilha digital ensina fazer horta urbana

Foto digital conceitual que ilustra o combate às crises ambientais por meio da agricultura urbana. Em primeiro plano, uma comunidade diversa — incluindo idosos, adultos e crianças — trabalha unida em uma horta comunitária vibrante, repleta de canteiros de hortaliças, árvores frutíferas e um riacho limpo. Sobre uma mesa de madeira, duas pessoas leem uma cartilha educativa cercadas por ferramentas e sementes. Ao fundo, o cenário se divide: no lado esquerdo, os prédios de uma grande metrópole sob nuvens carregadas; no lado direito, uma paisagem árida com terra rachada pela seca e tornados no horizonte, evidenciando o contraste entre o desastre climático e a resiliência local.

Criação de hortas comunitárias surge como alternativa para transformar áreas ociosas e fortalecer a segurança alimentar diante do avanço de eventos climáticos extremos (Google Gemini/Imagem Gerada por IA)

A fabulosa ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, situada em Piracicaba, elaborou uma Cartilha Digital para ensinar o leigo a fazer uma horta urbana.

Continua após a publicidade

Ela tem como pilares fundamentais a participação popular, por entender que a transformação real advém das bases. Além disso, a soberania alimentar, com a defesa do direito de decidir o que comer e como cultivar. Prestigia a agroecologia, ao buscar a produção em sintonia com o meio ambiente.

E enfatiza a tão decantada “Justiça Climática”, por incentivar a mudança a partir dos próprios espaços. Justiça Climática não é apenas se servir do equipamento judicial estatal para atender a demandas ambientais. É também pensar nos mais vulneráveis, as vítimas preferenciais das emergências climáticas. As hortas urbanas são antídotos às consequências nefastas dos fenômenos extremos.

A edição destaca os métodos e aprendizados do curso Hortas Comunitárias e Quintais Abundantes, realizado em Piracicaba, uma parceria entre o projeto Corredor Caipira e o Movimento “Tô Aqui” e a Casa do Hip Hop de Piracicaba. Nada impede, ou, ao contrário, tudo recomenda, que a experiência se replique em todos os lugares. Pense-se na capital, com trinta e duas subprefeituras. Em todas elas podem ser implementados projetos de hortas urbanas comunitárias.

Continua após a publicidade

Não é apenas uma simples prática de cultivo coletivo. Mais do que isso, a experiência demonstra que as hortas representam o caminho para o bem-viver e da conquista de direitos sociais e ambientais. Quais são eles? O direito à cidade, à alimentação adequada, à saúde, ao meio ambiente saudável, à saúde dos rios e à participação democrática e inclusão social.

Quem já participou de hortas comunitárias tem o que dizer. A experiência aguça o sentido de pertencimento à natureza. A articulação contínua entre comunidades, movimentos sociais e o poder público é crucial para garantir que as hortas cumpram seu papel multifuncional, que vai da promoção da soberania alimentar e da educação ambiental à inclusão social, regeneração urbana e formação de novas lideranças.

As hortas são muito mais do que meros locais de cultivo: elas funcionam como verdadeiros laboratórios sociais, educativos e ambientais. São espaços capazes de inspirar novas práticas, políticas públicas e modos de vida urbanos mais justos, sustentáveis e inclusivos e mostram que é possível construir mundos radicalmente democráticos e equitativos a partir do cuidado com o território e com as pessoas.

Continua após a publicidade

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.