200 anos de liberdade de imprensa

Este 2022 que marca o bicentenário da Independência, o centenário da Semana de Arte Moderna, os 90 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, pode ser também lembrado pelos 200 anos de liberdade de imprensa no Brasil. 

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Hipólito José da Costa foi um brasileiro que publicou o “Correio Brasiliense” em Londres, escrito em português, para divulgar notícias do Brasil e de Portugal, com toda a liberdade. Pois desde 1808, a Imprensa Régia criada por D. João VI impusera censura a todas as publicações. 

A partir de junho de 1808 até dezembro de 1822, circularam as edições do “Correio Brasiliense”, apesar da perseguição estatal. O “Aviso aos portugueses sobre o Correio Brasileiro” alertava que “os exemplares de tão infame obra mereciam ser dilacerados e queimados”. 

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Nada se conseguiu fazer contra o corajoso Hipólito da Costa, ainda que o “Aviso” afirmasse que “a liberdade de imprensa em Inglaterra não lhe garante da insolência, nem livra aos escritores da responsabilidade dos prejuízos de terceiros”.

A história do “Correio Brasiliense” consta de 175 números, em 29 volumes, sendo mensal a tiragem. No último número, de dezembro de 1822, consta o “anúncio aos leitores”, de que a publicação deixará de ser mensal, tendo em vista a liberdade de imprensa no Brasil. Promete, porém, que o jornal circularia novamente, se se apresentasse motivo para tal. 

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Desapareceu, portanto, o Correio Brasiliense e em 1823 iniciava-se a vida de um Brasil independente. Infelizmente, para Hipólito da Costa, o tempo se esgotara. Poucos meses teria de vida. 

Muita falta fez ao Brasil em 1823, quando Caldeira Brant contratou o jornal “Padre Amaro”, fundado em 1820 por Joaquim Ferreira de Freitas, para a defesa do Brasil, que precisava ser reconhecido pelas nações estrangeiras. Quando da morte de Hipólito José da Costa, o “Padre Amaro” publicou: “Viveu hidrópico e morreu tísico, dizem alguns maledicentes e invejosos antagonistas do “Correio Brasiliense”. Nós, porém, que nunca dissemos dele senão verdades, somos por isso mesmo autorizados a desmentir semelhantes boatos, anunciando aos inumeráveis amigos daquele tão vasto quanto admirável publicista a agradável notícia de que ele não morreu no sentido em que falam seus detratores, mas tão-somente passou desta para melhor vida, que é o prêmio dos justos”.

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*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.