Fernanda Torres e o Oscar virão na hora certa para o Brasil

A manhã da última quinta-feira (23) entrou para a história do Brasil, por se tratar de uma tripla indicação histórica do país ao Oscar com “Ainda Estou Aqui”.

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Desde que assisti a produção de Walter Salles, na tarde do dia 12 de novembro, no Cineflix do Miramar Shopping (que inclusive está exibindo a produção até hoje), tinha certeza que as indicações a Filme estrangeiro, atriz para Fernanda Torres e até mesmo a Melhor Filme, iriam acontecer.

Sua narrativa não só almeja a importância do cinema na relação entre Rubens Paiva e sua família, que desde sempre usavam câmeras Super 8 para registrar os principais momentos, como a interpretação e naturalidade dos atores mostra que é possível o Brasil entregar filmes excelentes que não sejam só comédias pastelão e dramas em periferias.

Como nasci em 1994, cresci acompanhando Fernanda interpretando a personagem Vani, na série “Os Normais”, sempre nas noites de sexta-feira, na Rede Globo. Sua química com Luiz Fernando Guimarães é uma das melhores coisas da televisão brasileira. Mesmo que os dois longas-metragens (ainda torço por um terceiro) sejam um pouco aquém do folhetim semanal.

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Filha de Fernanda Montenegro, vítima de uma das maiores injustiças na história do Oscar, que se comprovou anos depois com o escândalo de Harvey Weinstein, vemos que ela herdou o talento em seu DNA.

Com o sucesso de Vani, Fernanda já pulou para produções mais voltadas para o lado cômico e criou na mente de muitos espectadores um comodismo para o seu lado mais cômico. 

Os mais cinéfilos e que viveram os anos 80, ainda recordam a obra de Arnaldo Jabor, “Eu Sei que Vou Te Amar”, que lhe rendeu seu prêmio de melhor atriz do Festival de Cannes em 1986. 

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A produção era basicamente um monólogo shakespeariano entre ela e o ator Thales Pan Chacon (1956-1997), que hoje dificilmente chamaria a atenção do grande público como “Ainda Estou Aqui”.

Mesmo com o cenário de politização do brasileiro, onde o posicionamento político vale mais que a índole ou até mesmo o grau de uma conquista para uma nação, me faz pensar se em alguns cenários inusitados na mesma proporção da possível vitória de Fernanda.

Se Senna fosse vivo e ainda fosse campeão, apenas por ser agraciado e conversar com um Presidente X ou Y e responder “para fazer o social” e “ser educado”, ele ainda iria trazer o mesmo nível de alegria? Já haveriam motins e grupos contra ele?

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“Ahh mas ele pensa em X, Y”, não estamos nesta vertente pessoal, mas sim no profissionalismo da pessoa que realmente merece ser reconhecida.

Pode-se dizer que foi exatamente isso que aconteceu com a própria Fernanda Torres, que ao conseguir a vitória histórica do Globo de Ouro, muitos pegaram para reclamar, xingar e despejar ódio em cima do fato. 

Mesmo sem terem visto a produção de Walter Salles, o importante era falar que era justo nomes como Angelina Jolie, Nicole Kidman e até mesmo a ex-SOS Malibu, Pamela Anderson, terem vencido na categoria, sem sequer terem visto aos filmes. Síndrome do vira-lata ou simplesmente ódio gratuito contra o próprio país? 

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Há anos o cinéfilo brasileiro sempre almeja ver algum ator/atriz ou cineasta do com o nosso sangue, segurar o careca dourado. Na noite do dia 2 de março, isso possivelmente acontecerá com Walter Salles e Fernanda Torres entrarão para a história. 

A última grande conquista que o povo brasileiro se uniu para comemorar aos prantos de felicidade foi há quase 23 anos, com a vitória do Brasil sobre a Alemanha, na final da Copa do Mundo do Japão, em 2002. Em uma época onde não havia a politização do pensamento político, mas ainda enfrentava os problemas do dia a dia. 

Felizmente “Ainda Estou Aqui” chega com suas indicações ao Oscar em um momento certeiro, pois faz com que o brasileiro note que o mundo ainda está de olho em nossa cultura, alegria e principalmente no talento.