‘Toy Story 5’ chegou para fazer até o mais casca-grossa chorar

Bala no Alvo, Jessie e os outros brinquedos em cena de 'Toy Story 5'

O protagonismo de 'Toy Story 5' é totalmente centrado em Jessie (Walt Disney Pictures/Divulgação)

Os dois últimos filmes de “Toy Story” tiveram fechamentos não apenas emocionantes, mas também plausíveis para o desfecho definitivo de uma história. Entretanto, com a constante queda nas bilheterias da Disney e o desespero por fazer seus carros-chefes voltarem ao topo, a Pixar encontrou uma brecha para realizar este quinto longa.

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Debruçando-se no cenário da tecnologia tomando conta da vida das crianças, em detrimento dos tradicionais brinquedos, por intermédio da presença da personagem Lilypad, o roteiro faz refletir não apenas os pequenos, mas também os adultos que cresceram acompanhando as histórias de Woody e Buzz.

A trama do longa tem início quando Bonnie ganha de seus pais o aparelho eletrônico Lilypad, o que a faz deixar Buzz, Jessie e os outros brinquedos de lado. Ao notar o perigo iminente, a cowboy decide agir por conta própria, junto de seu fiel companheiro Bala no Alvo. Só que ela não esperava ter que enfrentar traumas do passado.

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O roteiro de Andrew Stanton (responsável por títulos como “Procurando Nemo” e “Vida de Inseto”) e McKenna Harris não vai pelo óbvio, mas pelo fator emotivo que a franquia sempre fez questão de trazer para o debate. Desta vez, o foco é o impacto da tecnologia na vida e na rotina das pessoas, que às vezes as deixa totalmente desligadas e menos conectadas com a realidade.

Dois exemplos sutis ilustram isso: o primeiro é quando Woody observa uma série de janelas com o clarão de aparelhos eletrônicos sendo manuseados, principalmente por crianças. Em outro ponto, Jessie passa por trás de um personagem durante uma chamada de vídeo e nenhuma das pessoas repara que existe um boneco andando ali.

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Ao transcrever essa dinâmica para Bonnie, vemos o quanto ela ficou desleixada com suas coisas e como se preocupa cada vez mais com suas amizades virtuais, em vez das interações pessoais.

Em paralelo, vemos pela primeira vez Jessie ser mais explorada, mostrando que ela conseguiu ser tão bem desenvolvida quanto Woody e Buzz nos filmes originais. Tomando como base uma ponta solta do segundo longa, quando foi inserida na franquia, o texto não fica trabalhando no “e se”, mas no “e agora?”. E é nisso que até o espectador mais casca-grossa consegue suar pelos olhos.

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Embora não exista uma trama complexa dos brinquedos indo atrás de Jessie, como aconteceu com Buzz no filme de 1999, há um divertido espaço para um arco envolvendo um lote de novas versões do patrulheiro espacial que se perdem em uma ilha deserta e se unem em uma “missão especial”.

E em relação ao 3D? Assim como no recente “Cara de Um, Focinho do Outro”, não existe profundidade ou objetos vindo em nossa direção. Parece ter sido um desespero da Disney em vender o formato apenas pelo nome, pois não se percebe em momento algum que estamos vendo o filme nesta versão, a não ser pelo uso dos óculos.

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“Toy Story” ainda se consagra como a maior franquia do cinema pois, mesmo após cinco episódios, não apresenta sinais de desgaste, provando que é possível entregar bons filmes ao aproveitar as pontas soltas existentes entre os personagens e a própria realidade.