Spielberg vira o verdadeiro herói de ‘Dia D’ ao transformar roteiro fraco em diversão

Emily Blunt em cena do filme 'Dia D'

Emily Blunt em cena do filme 'Dia D' (Universal Pictures/Divulgação)

O cineasta Steven Spielberg é conhecido não apenas por ter realizado produções consagradas como Jurassic Park e Tubarão, mas também por sempre entregar interessantes filmes de ficção científica sobre extraterrestres, a exemplo de E.T. O Extraterrestre e Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

Após 20 anos do lançamento de Guerra dos Mundos, o diretor volta a essa temática com Dia D. A produção tem como propósito discutir que os seres humanos estão prestes a saber sobre a existência de ETs na Terra, só que o roteiro de David Koepp, que retoma a parceria com o cineasta depois do longa com Tom Cruise e do filme dos dinossauros, acaba tropeçando na condução dessa premissa.

Continua após a publicidade

A história começa com o funcionário do serviço secreto Daniel, interpretado por Josh O’Connor, que rouba arquivos confidenciais. Os documentos confirmam a existência de extraterrestres e revelam que o Governo dos Estados Unidos estaria fazendo testes com alguns deles. Ao mesmo tempo, a jornalista Margaret, vivida por Emily Blunt, passa a apresentar comportamentos estranhos que a fazem tentar ajudar Daniel nesta missão.

Embora a direção de Steven Spielberg esteja excelente, inclusive com cenas de ação e suspense que usufruem bastante de planos sequência regados às melodias de John Williams, o principal problema do filme reside no roteiro.

Parece que Koepp parou no tempo e esqueceu que, para esse tipo de filme funcionar, deve-se não apenas ter cenas bem executadas, mas também construir personagens que gerem algum apreço e conexão com o público.

Continua após a publicidade

Em momento algum o espectador cria vínculos com os protagonistas. Isso fica evidente no penúltimo arco, em que existe um momento dramático que poderia fazer com que o público comprasse até mesmo a motivação do antagonista Noah, interpretado por Colin Firth. Esse era um filme que necessitava desse estofo dramático.

Ao mesmo tempo, o texto apresenta facilitações absurdas em torno de Daniel e de como ele consegue se safar de enrascadas. Um exemplo ocorre na sequência em que ele vai resgatar uma personagem em um local totalmente cercado por agentes. O protagonista não apenas consegue concluir o resgate, como a resolução da cena parece ter sido tirada de um desenho animado do Pernalonga.

Essa fragilidade faz com que a própria atuação de O’Connor não seja tão boa quanto deveria, visto que seu personagem foi abordado de forma exagerada pelo texto. Mesmo com esses problemas estruturais, as atuações de Blunt, Firth e Colman Domingo, que recentemente viveu Joe Jackson na cinebiografia Michael, despontam como os melhores pontos da produção devido à naturalidade dos atores em torno do material fraco que tinham em mãos.

Continua após a publicidade

Embora Dia D tenha sido prejudicado por seu roteiro, pode-se dizer que Steven Spielberg foi o grande herói desta produção, pois ele demonstrou competência ao entregar uma obra que alcança o objetivo de entreter de forma breve.