‘O Lobisomem’ é um simples reboot de um clássico e nada mais

Com o planejamento da Universal Pictures em resgatar os seus longas de monstros em um único universo fracassando em 2017 com o lançamento de “A Múmia”, o estúdio se viu disposto a levar a ideia adiante, mas de forma homeopática. 

Continua após a publicidade

O primeiro título da empreitada foi “O Homem Invisível”, lançado semanas antes da pandemia fechar os cinemas do mundo. Com este cenário de incertezas, a produção ainda conseguiu fazer um grande sucesso e motivou a chamar novamente o diretor Leigh Whannell para realizar outro filme do gênero que estava estagnado: “O Lobisomem”.

Após ter o falecimento do seu pai ser oficialmente declarado, Blake (Christopher Abbott) resolve levar a esposa Charlotte (Julia Garner) e a filha (Matilda Firth) para uma casa de campo. No caminho eles têm um encontro inusitado com um ser, que faz com ele se transforme lentamente em um Lobisomem.

O roteiro do próprio Whannell com Corbett Tuck não procura remeter ao estilo do longa estrelado por Elizabeth Moss, mas ao clássico estrelado por Lon Chaney Jr., em 1941. 

Continua após a publicidade

Não há nenhuma profundidade, muito menos alguma reflexão social como aconteceu no citado. O único intuito é realizar um pseudo-reboot ao filme de George Waggner, com a tecnologia de hoje em dia.

O visual do próprio Lobisomem remete, e muito, ao Gollum, e anda bem na contramão das outras produções com do personagem, inclusive sua transformação (com o apoio de CGI) chega a ser conduzida de forma plausível e aflitante. 

Mesmo apelando para efeitos práticos, Whannell sabe que esta ação deverá ser centralizada exclusivamente entre o trio central durante um único período.

Continua após a publicidade

Como 80% da produção se passa no período noturno, ele usufrui não de estratégias clichês para mostrar sequências na escuridão, mas insere a visão do próprio Lobisomem, sempre de forma sutil.

Isso sem mencionar as cenas de violência e de escatologia, pois o horror é causado mais pela aflição na sua transformação lenta ao invés das mortes em si. Tanto que Whannell não opta por usar um clichê tradicional, onde a câmera desenha “o que vai rolar”, mas usa isso para brincar com a intuição do espectador. 

Só que, diferente de “O Homem Invisível”, faltou uma presença maior de Abbott e Garner em cena, para termos uma “vontade de torcer por eles”. Embora estejam em atuações automáticas, o problema foi o roteiro não ter trabalhado este ponto.

Continua após a publicidade

O novo “O Lobisomem” é apenas operante e um plausível passatempo sem compromisso.