Hipocrisia e cancelamento: ‘O Drama’ usa Robert Pattinson para colocar o público em xeque

Produção é estrelada por Robert Pattinson e Zendaya

'O Drama' é o primeiro de três filmes em que a dupla vai estrelar neste ano

Pode-se dizer que “O Drama” é um dos maiores sucessos da A24 pois, além de estar em um crescente boca a boca entre os espectadores, o título já rendeu US$ 48 milhões mundialmente, frente a um custo de US$ 28 milhões. Estrelada por Robert Pattinson e Zendaya, que neste ano ainda estarão juntos em “A Odisseia” e “Duna: Parte 3”, a obra de Kristoffer Borgli (“O Homem dos Sonhos”) procura trazer à tona a reflexão de como o comportamento humano pode ser hipócrita dentro do possível, independentemente das redes sociais.

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A história apresenta o casal Charlie (Pattinson) e Emma (Zendaya), que se casarão nos próximos dias e correm para finalizar os preparativos da cerimônia. Nesse meio-tempo, durante uma conversa com os padrinhos (Alana Haim e Mamoudou Athie), um detalhe inusitado é revelado e coloca toda a situação em xeque.

Assim como na obra estrelada por Nicolas Cage, Borgli opta por colocar o ser humano diante da possibilidade de um cenário de cultura do cancelamento e como isso pode ser hipócrita e prejudicial em determinadas situações. Como a experiência cinematográfica perfeita acontece quando não sabemos muito sobre o enredo, o marketing da A24/Diamond Films fez jus ao mistério, não revelando quase nada da trama em si ou da justificativa central que move a história.

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Mesmo que a abertura aparente ser apenas mais um filme clichê sobre casamentos, onde vemos Charlie chegando de forma atrapalhada a Emma em uma cafeteria, notamos um detalhe específico que será resgatado minutos depois, graças à sutileza levantada pelo diretor por intermédio de enquadramentos e diálogos insistentes em torno do tópico.

Sem entrar no mérito de spoilers: embora Zendaya entregue mais uma atuação no automático e genérica, o talento de Pattinson consegue se sobressair diante das diversas situações que ele desenvolve por conta do seu psicológico. Constantemente, o trabalho de Kristoffer Borgli nos faz questionar: “o que faríamos na posição dele?” ou “será que devemos relevar isso?”.

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É nesse ponto que entra um cenário mais inteligente: dentro desses questionamentos é inserida a dose de humor, principalmente na interação com Zendaya, que possui momentos hilários bem explorados pelo roteiro. Mesmo tratando-se de algo extremamente pesado, existe uma leveza em sua concepção que impede que a obra seja tão incômoda quanto parece.

Como cereja no bolo, os personagens de Alana Haim e Mamoudou Athie funcionam como uma forma de externar os dois lados das consequências da conversa. Mesmo que em momento algum o diretor utilize a internet para representar esse cenário, vemos o tribunal sendo formado pelo próprio casal de padrinhos.

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“O Drama” é um sinal de que ainda é possível conceber comédias românticas com pegadas diferentes, sem cair no clichê padrão, e ainda lotar as salas de cinema.