Gravado em Cubatão, ‘Pedágio’ é um esquecível mais do mesmo

Rodado em Cubatão, o longa “Pedágio” passou por vários festivais de cinema pelo mundo nos últimos meses, como o SXSW Film Festival. Dirigida pela cineasta Carolina Markowicz, ela repete sua parceria com as atrizes Maeve Jinkings e Aline Marta Maia (pelas quais havia trabalhado no drama “Carvão”), em uma trama com um assunto bastante delicado e polêmico que é a cura gay.

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Após presenciar um vídeo de seu filho Tiquinho (Kauan Alvarenga) viralizar em um vídeo, a funcionária de um pedágio de Cubatão, Suellen (Jinkings) abraça um conselho de uma colega e resolve colocar ele em um processo de cura homossexual, concebido por um pastor evangélico. Por conta do alto custo, ela resolve conseguir uma renda extra ilegalmente. 

Markowicz procura retratar a trajetória de Suellen por intermédio de índices, pelos quais acompanhamos sua rotina e como ela vivia sua relação conturbada com o filho, diante de situações pelas quais discorda. Diante disso, a vemos acordar, se arrumar, trabalhar e antes de voltar para sua residência, sempre ocorrem mudanças que acarretam no próximo arco da trama.

Embora o recurso da cineasta funcione em aspecto técnico, ao resolver estabelecer uma proximidade com o público, ela deixa a desejar. Por conta disso, não conseguimos sentir o drama de Tiquinho diante das decisões de sua mãe (algo que títulos como “Boy Erased” e “O Mau Exemplo de Cameron Post”, fizeram com maestria). Não existe este laço de conexão, uma vez que este tipo de produção necessita disso. 

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Para um efeito de comparação direta, em 2018, o Instituto Querô concebeu em São Vicente a produção “Sócrates” (que também percorreu várias premiações mundiais), cuja temática também tinha como tópico a descoberta da homossexualidade na adolescencia. Neste nós possuíamos uma ligação com o protagonista interpretado por Christian Malheiros e, de quebra, vimos em cena várias partes de São Vicente (já que a produção foi toda feita na cidade). 

Em contrapartida, “Pedágio” teve como cenário principal o município de Cubatão, e a produção chega brevemente a mostrar alguns cenários icônicos da cidade como o Castelo do Rei de Cubatão, Ivanio Batista da Silva; o Parque Anilinas; a parte das usinas empresariais e obviamente, os pedágios e rodovias. Porém, por se tratar de uma produção que extrapola o lado sombrio do ser humano, não espere ver estes locais com uma bela áurea. 

O roteiro também peca ao tentar desenvolver os arcos de coadjuvantes como a colega de Suellen, Telma (Aline Marta Maia) e seu ficante Arauto (Thomas Aquino), se resumindo a situações clichês e banais como sexo e criminalidade. A sensação que fica é “poderia ter apenas focado em Suellen e Tiquinho”. 

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Embora os citados trabalhem bem, o grande destaque na carga dramatúrgica vai para Maeve Jinkings. Desde os primeiros minutos em cena, ela transparece os sentimentos de medo, preocupação  e cansaço. Tudo em prol pelo bem estar de Tiquinho, que está aos poucos se soltando para o mundo. 

“Pedágio” termina como uma produção que promete uma grande dose reflexiva, e se torna um infeliz ao entregar um mais do mesmo