Fernanda Montenegro salva ‘Vitória’ de uma tragédia

Longa promete ser o último da atriz nas telonas

Sony Pictures/Reprodução

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Prestes a começar suas filmagens, “Vitória” sofreu o inesperado falecimento do diretor Breno Silveira (“Dom”). Alguns meses depois, o cargo foi assumido por Andrucha Waddington (“Casa de Areia”), genro de Fernanda Montenegro. Mesmo finalizado, seu lançamento aconteceu apenas agora para aproveitar o sucesso de ‘Ainda Estou Aqui’.

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Baseado em fatos reais e inspirado no livro de Fábio Gusmão, a história é centrada em Dona Nina (Montenegro), que está cansada de sofrer com os constantes tiros e o caos causado por bandidos em seu bairro na periferia do Rio. Diante da negligência da polícia, ela decide comprar uma câmera e gravar, da janela de seu quarto, os criminosos em ação.

Mesmo que Montenegro entregue uma excelente atuação e convença desde os primeiros minutos em cena, o roteiro de Paula Fiuza parece exagerar ao tentar romantizar algumas situações, apenas para justificar a duração do filme.

Um exemplo são os diálogos nas duas cenas que envolvem uma reunião de condomínio do prédio de Nina. As falas e atuações da maioria dos presentes, não fazem sentido com a realidade. Para piorar, o próprio síndico do local (Thelmo Fernandes) profere falas que mais parecem saídas de um ‘tiozão do zap’ do que de uma pessoa real.

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Já na retratação da própria Vitória, isso não se aplica, pois até mesmo uma analogia de sua rotina com uma simples xícara é transposta ao espectador. Ao mesmo tempo, vivenciamos suas adversidades e ingenuidade, enquanto seus atos geram consequências cada vez maiores.

Algumas dessas passagens foram claramente acrescentadas para trazer mais dramatização à história de Nina. Embora sua relação com o jornalista Flávio Godoy (Alan Rocha) seja um dos pontos altos da trama, o enredo ainda conseguiu encaixar brevemente uma subtrama sobre sua vizinha Bibiana (Linn da Quebrada).

Outro destaque é a forte subtrama que envolve o personagem Marcinho, interpretado por Thawan Lucas. Sendo o principal álibi para as motivações de Nina, seu desenvolvimento é um dos grandes destaques da narrativa e não cai em exageros ou em uma situação datada da trama.

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“Vitória” não trará o segundo Oscar do Brasil, muito menos fará barulho lá fora, mas é uma despedida digna de Fernanda Montenegro do cinema brasileiro.