Angelina solta a voz com ‘Maria Callas’ e faz falta no Oscar

O diretor Pablo Larraín sabe como mostrar visões mais humanas de personalidades femininas importantes. Foi assim com Jackie Kennedy (“Jackie”), Princesa Diana (“Spencer”) e agora com a cantora de ópera Maria Callas. Como nos casos citados, ele não se preocupa em contar a história de suas protagonistas, mas focar em períodos delicados de suas vidas.

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Interpretada por Angelina Jolie (“A Troca”), acompanhamos a sua última semana de vida e como ela estava cada vez mais debilitada diante de seu diagnóstico terminal.

O roteiro de Steven Knight (“Pink Blinders”) não se preocupa em apresentar para o público quem era Maria Callas, muito menos fazer com que ele se familiarize com ela. Somos colocados diante dos fatos que antecederam sua morte, e algumas passagens pelas quais marcaram sua vida.

Sob uma forte fotografia de Edward Lachman, que mereceu a indicação ao Oscar, somos transportados para 1977 por intermédio de tonalidades pastéis mais acinzentadas. 

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Diante deste cenário, Larraín ainda possibilita da trama indiretamente se conectar com “Jackie”, com a inserção de JFK (novamente interpretado por Caspar Phillipson) em um breve momento da trama e mostra o quão Maria não tinha “nada a perder”. 

De fato, Jolie está em uma das suas melhores interpretações na carreira. Disposta não só a ter aulas de Ópera por cerca de sete meses, embora a voz que ouvimos seja da própria Maria (com exceção do último arco), é perceptível que ela realmente a estudou por completo durante sua preparação. 

Só que este excesso de canções do estilo durante boa parte da narrativa, pode incomodar quem não está adepto a este universo, pois além de possuir um ritmo bastante lento, estamos falando de uma produção inteiramente voltada para quem admira este tipo de espetáculo musical. 

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Mesmo que Jolie tenha conseguido se destacar em algumas premiações, foi uma pena o Oscar não ter reconhecido o seu esforço. O roteiro ainda extrapola um pouco ao mostrar como ela era uma pessoa que muda da água para o vinho, diante de situações em sua rotina. 

Um exemplo, é uma cena onde ela está tranquila em um bar e por conta do atendente ouvir a sua música naquele ambiente, ela muda de boazinha para arrogante em poucos segundos.

Só que não sentimos essa naturalidade do restante do elenco, principalmente de Kodi Smit-McPhee (o jornalista Mandrax), que não consegue transparecer uma atuação no nível da personagem de Jolie. Parece que ele está literalmente repetindo falas do roteiro e não agindo como um jornalista de verdade.

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“Maria Callas” é mais um interessante recorte de Pablo Larraín, mas não chega a ser memorável como suas obras antecessoras