Após deixar sua passagem pela franquia “Crepúsculo” no passado, a atriz Kristen Stewart não apenas procurou papéis mais sérios, como foi em “Spencer”, que inclusive lhe rendeu uma indicação ao Oscar por sua interpretação como a Princesa Diana, e em “Love Lies Bleeding”.
Só que em “A Cronologia da Água” ela opta por usufruir de seus talentos como roteirista e diretora pela primeira vez, ao levar para as telonas o livro de memórias da ex-nadadora e escritora Lidia Yuknavitch. Projetada apenas com o intuito de que ela um dia possa vir a conquistar prêmios em Cannes e Veneza, pode-se dizer que ela está no caminho certo.
A história acompanha a então nadadora Lidia (Imogen Poots), que enfrenta uma série de abusos de seu pai e decide colocar um basta em sua vida ao receber uma bolsa de estudos no Texas. Entretanto, seu vício em drogas e álcool faz tudo ser colocado em xeque.
Kristen em momento algum faz com que o público crie uma proximidade com a protagonista, muito menos desenvolva um carinho por ela. Seu estilo de narrativa é mesclar flashbacks com uma trama linear, as quais se concentram em jogar os fatos e não deixar o espectador absorver ao pé da letra as informações.
Um exemplo disso é a passagem da primeira gravidez de Lídia, onde o arco em si é encerrado em menos de 10 minutos e com uma conclusão feita sem muito alarde, embora o desfecho tenha sido trágico.
O único propósito é fazer com que o espectador pense “caramba, como essa mulher sofre”, para depois apresentar uma jornada de redenção à medida que ela vai abraçando as oportunidades que aparecem. E é neste estilo que Kristen se debruça para fazer com que o espectador tente criar uma conexão com a personagem, mas isso não funciona a menos que o público já tenha vivenciado as mesmas coisas que ela.
Embora Imogen tenha uma excelente atuação, visto que é um dos papéis mais pesados e difíceis que ela executou em sua carreira, faltou o fator conexão para a cereja do bolo funcionar. Até mesmo uma breve participação do veterano comediante Jim Belushi, que vive seu professor Ken Kesey, poderia ter sido mais íntima para o espectador.
“A Cronologia da Água” poderia ter sido mais intimista ao tentar criar uma conexão com o público, mas fica apenas na promessa.
