Muito além de matar a fome: quando o alimento também ajuda a tratar

Cão e gato em uma mesa com legumes

Imagem Gerada por IA/Google Gemini

Durante muito tempo, a alimentação foi vista apenas como uma forma de fornecer energia e nutrientes para cães e gatos. Hoje sabemos que ela pode ir muito além disso. A nutrição funcional tem ganhado cada vez mais espaço na medicina veterinária por utilizar os alimentos como aliados na promoção da saúde e como importantes coadjuvantes terapêuticos no manejo de diversas doenças.

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Assim como acontece com os seres humanos, cães e gatos podem se beneficiar de ingredientes que possuem propriedades capazes de auxiliar no funcionamento adequado do organismo. Quando a alimentação é formulada de maneira individualizada, ela pode contribuir para o controle de doenças metabólicas, dermatológicas, hepáticas, articulares, cardiovasculares, renais e até mesmo oncológicas.
Nas doenças hepáticas, por exemplo, o fígado perde parte da sua capacidade de desempenhar funções essenciais para o organismo.

Nesses casos, a alimentação deve ser cuidadosamente planejada para fornecer proteínas de alta qualidade e elevada digestibilidade, ajudando a preservar a massa muscular sem sobrecarregar o metabolismo hepático. Alguns vegetais, como o brócolis, também podem contribuir com compostos antioxidantes que auxiliam na proteção celular.

Entre os nutrientes mais estudados na medicina veterinária está o ômega 3. Obtido principalmente de peixes de águas frias, ele possui importante ação anti-inflamatória e pode auxiliar na saúde cardiovascular, osteoarticular, renal, neurológica e dermatológica. Além disso, contribui para a manutenção da qualidade da pele e da pelagem, sendo amplamente utilizado em pacientes alérgicos e portadores de doenças inflamatórias crônicas.

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A escolha da proteína também pode fazer diferença em determinadas situações clínicas. Em alguns pacientes com dermatopatias alérgicas, por exemplo, proteínas menos frequentemente consumidas podem ser utilizadas como estratégia nutricional. Em outros casos, diferentes fontes proteicas podem ser selecionadas conforme a digestibilidade, perfil nutricional e objetivo terapêutico da dieta.

Outro aspecto interessante da nutrição funcional é a utilização de ervas e temperos naturais. Ingredientes como salsinha, manjericão, hortelã, tomilho, orégano e cúrcuma podem fornecer compostos bioativos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias quando utilizados de forma adequada e em quantidades seguras. Mais do que agregar sabor, esses ingredientes podem complementar o valor nutricional da alimentação.

Da mesma forma que existem alimentos benéficos, existem aqueles que devem ser evitados. Chocolate, uvas, passas, cebola, alho e carambola estão entre os alimentos potencialmente tóxicos para cães e gatos. Dependendo da quantidade ingerida e da sensibilidade do animal, podem causar alterações neurológicas, gastrointestinais, hematológicas ou até insuficiência renal.

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É importante lembrar que alimentação natural não significa simplesmente oferecer comida caseira. Para que uma dieta seja completa e equilibrada, ela deve ser formulada por médico veterinário capacitado e conter suplementação adequada para atender todas as necessidades nutricionais do paciente.

Afinal, quando a ciência se une ao alimento, a nutrição deixa de ser apenas uma necessidade básica e passa a ser uma poderosa ferramenta para promover saúde, qualidade de vida e longevidade para nossos cães e gatos.

Fernanda Vasconcelos Monsalvo é médica veterinária formada pela UNESP, com atuação em clínica médica de pequenos animais, pós graduada em endocrinologia e metabologia e nutrição funcional de cães e gatos. Dedica-se ao acompanhamento individualizado de pacientes, com foco em medicina baseada em evidências e qualidade de vida.