Verão aumenta risco de contaminação em cães pelo 'verme do coração'

A dirofilariose canina é uma doença transmitida por mosquitos; incidência aumenta nas estações mais quentes

Comentar
Compartilhar
06 FEV 2020Por Da Reportagem19h00
Sintomas costumam ser percebidos quando a doença já evoluiuFoto: Divulgação

No verão aumenta o risco de proliferação dos mosquitos que transmitem a dirofilariose canina, doença grave desencadeada por um verme (nematoide) parasita que se aloja no coração dos pets.

Conhecida como "verme do coração", a doença é transmitida por alguns vetores, entre eles o mesmo causador da dengue, zika e chikungunya e também por outros das famílias Aedes e Culex (pernilongos) e do gênero Anopheles, que tem cerca de 400 espécies.

E não pense que os pelos desencorajam as picadas. É preciso proteger os pets com vacinas, vermífugos, coleiras repelentes e evitar áreas quentes e úmidas, que favorecem a reprodução acelerada dos mosquitos transmissores da dirofilariose.

"A prevenção mais efetiva de transmissão da dirofilariose deveria ser pelo controle dos mosquitos, mas isso é bastante complicado. O melhor então é tentar evitar que o cão seja picado pelo vetor. Podemos usar coleiras à base de deltametrina (inseticida do grupo químico piretróide). Já existe também medicação que garante proteção por 12 meses", explica Nathalia Saraiva dos Anjos, médica veterinária do Centro Veterinário Seres da Petz

Embora chamada de doença do verme do coração, a dirofilariose ocorre porque a parasita, Dirofilaria immitis (semelhante a uma lombriga), se instala na base do coração e/ou artéria pulmonar. Por isso o risco de morte é sempre alto.

Quando o mosquito pica um animal doente, ele ingere microfilárias, que são como filhotes da dirofilária. Essas microfilárias se desenvolvem no organismo do mosquito e quando o inseto pica outro animal, transmite as parasitas.

Fique atento aos sintomas

Por um tempo, a maior parte dos animais não demonstra sintomas. Eles costumam ser percebidos quando a doença já evoluiu. Os vermes crescem e se multiplicam desestabilizando o coração e provocando insuficiência cardíaca. Nesse estágio, o pet pode apresentar tosse, falta de ar, coloração da língua mais escura, perda de peso e resistência a exercícios. Também pode ocorrer distensão de abdômen por acúmulo de líquido.

"A dirofilariose e? uma doenc?a de evoluc?a?o cro?nica. Quando ainda ha? pouca quantidade de vermes, eles comprometem, principalmente, as arte?rias pulmonares caudais. Pore?m, conforme a carga parasita?ria aumenta, as larvas atingem o coração, mais especificamente o ventri?culo direito. Em um peri?odo de 90 a 100 dias apo?s a infecç?a?o, tornam-se vermes adultos", explica a veterinária do Seres.

Como tratar

Antes de definir o tratamento é necessário realizar exames de sangue e de imagens, como ecocardiograma. Com os resultados em mãos, o veterinário estabelece a terapêutica para eliminar as microfilárias (vermes jovens), evitando que novos parasitas cheguem à fase adulta, se reproduzam e ocupem mais espaço no coração e nos vasos sanguíneos do pet.

Geralmente o tratamento é feito com medicamentos adulticidas e microfilaricidas. O primeiro mata as larvas já adultas e o segundo, como o nome sugere, ataca as microfilárias.

"Se for diagnosticada cedo, a dirofilariose pode ser tratada com sucesso. O tratamento com adulticidas provoca muitos efeitos adversos com risco à sau?de dos animais por causa das embolias geradas pelos vermes mortos. Esse tratamento só deve ser adotado em ca?es que apresentem boa condição fi?sica ", orienta Nathalia. "Há ainda a opção de tratamento cirúrgico, indicado quando o animal tem bloqueio da veia Cava pela quantidade de vermes mortos. Nesse caso é necessário restabelecer o fluxo sanguíneo com urgência", acrescenta.

Como se trata de uma zoonose, a dirofilariose pode ser transmitida para mamíferos em geral, mas os cães são os que mais sofrem com a doença.

A doença pode ser detectada com um simples teste de sangue. As chances de recuperação são maiores quando diagnosticada precocemente.