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Sustentabilidade: conheça empresas comprometidas com a causa

Interesse de consumidores e marcas por produtos e serviços sustentáveis cresce no Brasil e no mundo

Compromisso em prol do planeta cresce entre consumidores e empresas / Freepik/Divulgação

O interesse dos consumidores por produtos e serviços sustentáveis vem crescendo a passos largos no Brasil e no mundo. Segundo pesquisa global, divulgada em dezembro de 2021 pela Dentsu International e a Microsoft Advertising, 59% dos consumidores em todo o planeta pretendem boicotar marcas que não tomem medidas sobre as mudanças climáticas. O levantamento também revela que 91% dos entrevistados querem que as marcas demonstrem que estão fazendo escolhas positivas sobre o planeta e o meio ambiente de forma mais explícita.

No que diz respeito apenas ao Brasil, dados da consultoria Accenture apontam que 61% dos brasileiros estão, além da qualidade e do preço, buscando cada vez mais por conveniência, segurança, personalização e observando a origem dos produtos e serviços na hora de consumir, o que coloca nossa população entre as mais preocupadas com esses novos parâmetros.

Esse consumidor, segundo a professora Evange Elias Assis, do curso de Marketing da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), independente da classe social, é mais consciente e crítico e, em alguns casos, estão até dispostos a pagar mais por produtos ecologicamente corretos e sustentáveis. “Eles estão atentos ao que deixarão como “herança” para as próximas gerações. Em certa medida, conhecem e procuram incentivar o consumo compartilhado movimentando, assim, a economia circular”, ressalta Evange.

Positiv.a, marca de materiais de limpeza e autocuidado focada na economia circular, vem dobrando o faturamento anual, ano após ano

Empresas
Embora o consumidor pressione por atitudes mais comprometidas com o planeta, muitas empresas por si só já colocam a sustentabilidade como um de seus pilares. “Observamos entre gestores e conselheiros uma preocupação crescente com a sustentabilidade. Antes, o debate envolvia necessariamente uma análise de custos que se entendia sem retorno em função do perfil do consumidor. Hoje, cresce entre os executivos uma percepção de que a sustentabilidade é um investimento necessário à continuidade dos negócios”, explica a professora de economia Cristina Helena de Mello, também da PUC-SP.

A percepção de Cristina é compartilhada pela consultora de estratégias de negócios da Accenture, Marina Ferreira, para quem a movimentação em busca de sustentabilidade não é só do consumidor, mas também do mercado, incluindo o mercado financeiro. “No Brasil está cada vez mais forte a pressão por este tipo de solução, vindo dos investidores, dos consumidores, dos próprios empregados das empresas e também por conta de questões legais, como a exigência da União Europeia de não aceitar produtos provenientes de área desmatadas, por exemplo.”

Lançado em outubro de 2021 pela empresária Mariana Venturini, o administrador Marco Antonio Pacileo Cruz e o publicitário Marco Antonio Venturini Cruz, a From Future iniciou sua operação com 12 sellers e hoje já conta 26 contratos assinados

Nascem novos negócios
A preocupação de consumidores e empresários com a sustentabilidade não tem só mudado a forma de agir de muitas empresas, como tem impulsionado o surgimento de novos negócios que já possuem a sustentabilidade em seu DNA. Este é o caso, por exemplo, da From Future, um marketplace, que visa facilitar a busca do consumidor por marcas que tenham como premissa um impacto socioambiental positivo.

Lançado em outubro de 2021 pela empresária Mariana Venturini, o administrador Marco Antonio Pacileo Cruz e o publicitário Marco Antonio Venturini Cruz, a plataforma iniciou sua operação com 12 sellers e hoje já conta 26 contratos assinados. Para 2022, a meta é atingir 50 sellers e expandir a atuação para quatro novos segmentos: alimentos, decoração, limpeza e mobilidade.

“A From Future é uma plataforma para consumo consciente. Todas as marcas que estão em nosso marketplace passaram por um processo de curadoria humanizada para mapeamento de sua cadeia de valor, considerando aspectos sociais e ambientais ao longo de seus processos Nós temos como propósito transformar a relação das pessoas com o consumo.  Decidimos investir neste modelo porque acreditamos que ele possa ser uma semente na transformação da vida dos nossos consumidores e com isso da nossa economia”, diz Mariana Venturini.

De La Terre comemora o sucesso de seus cosméticos naturais e veganos

Sucesso de vendas
Com apenas um ano de vendas on-line e mais de meio milhão de reais de faturamento em 2021, a De La Terre comemora o sucesso de seus cosméticos naturais e veganos, que incluem uma linha de shampoo e condicionador em barra, que rendem aproximadamente 50 lavagens e são 100% biodegradáveis.

“Nós rastreamos todas as matérias primas, para entender sua forma de extração à sua biodegradabilidade para que não afete desde o solo à vida marinha, também não utilizamos matérias primas que foram testadas em animais, não fazemos testes em animais. Além da compensação ambiental que fazemos, também nos preocupamos com as embalagens que colocamos no mercado, dos nossos 30 produtos apenas um é envasado em plástico totalmente reciclado”, conta a cosmetóloga Juliana Melo, idealizadora da marca.

Outra empresa que vem colhendo bons resultados desde sua criação, em 2016, é a Positiv.a, marca de materiais de limpeza e autocuidado focada na economia circular, que vem dobrando o faturamento anual, ano após ano. Entre os produtos comercializados pela marca estão um desodorante em embalagem de papel, um multiuso concentrado que custa menos de R$ 2 e um tira-manchas feito com apenas dois ingredientes minerais.

“Quando o consumidor entende que nosso produto rende muito mais e tem uma qualidade superior, felizmente fecha a conta e não troca mais. Além disso, o mercado como um todo já entendeu essa transformação e grandes varejistas vêm acompanhando a evolução dos hábitos de consumo dos clientes e a preocupação pelo impacto no planeta e estão abrindo as portas para marcas sustentáveis”, observa Marcella Zambardino,  co-CEO e co-fundadora da Positiv.a.

A Yvy é mais um exemplo de bons resultados baseados na sustentabilidade. A marca de produtos de limpeza, idealizada por José Majolo e Marcelo Ebert, iniciou sua operação em 2018 e vem dobrando de tamanho anualmente desde então. “O propósito da marca é ensinar que não é preciso sujar o planeta para limpar sua casa”, diz Marcelo Ebert, CEO da empresa, que é baseada em um sistema de assinatura de cápsulas de produtos naturais de limpeza hiperconcentrados e borrifadores permanentes, que permitem aos próprios consumidores adicionarem água, reduzindo não só a quantidade de plástico, 10 kg a menos por ano em relação aos produtos convencionais, segundo eles, mas também a emissão de CO2 ao longo de toda a cadeia de produção.

Yvy é baseada em um sistema de assinatura de cápsulas de produtos naturais de limpeza hiperconcentrados e borrifadores permanentes, que permitem aos próprios consumidores adicionarem água

Será que é sustentável?
Ainda que as empresas estejam mais comprometidas com a sustentabilidade e o consumidor mais interessado no assunto, segundo dados da Accenture ainda há um abismo entre o interesse do consumidor e as ações concretas, com 50% dos consumidores globais desejando consumir de forma mais consciente, mas apenas 25% conseguindo transforar desejo em realidade.

Para Carlos Fan, diretor executivo de Consultoria de Gestão da Accenture, entre os motivos para esta diferença estão a questão financeira e, sobretudo, a falta de informação, o que segundo ele pode ser contornada com atitudes simples, como pesquisar sobre a marca que deseja consumir e ler o rótulo dos produtos. “As embalagens costumam dar muitas pistas sobre as atitudes de uma empresa”, diz o executivo.

Os selos e certificações são uma maneira de ajudar o consumidor a descobrir, no momento da compra, se a empresa está promovendo alguma ação para diminuir seu impacto negativo no meio ambiente. No Brasil, um dos mais famosos é o fornecido pela eureciclo, uma empresa de tecnologia que certifica as empresas que promovem a compensação ambiental das suas embalagens.

“Se o consumidor encontrar essa certificação, ele pode ter certeza que a empresa está investindo recursos na cadeia de reciclagem para que haja a reciclagem de materiais equivalentes (mesmo tipo de material e peso) aos que ela coloca no mercado”, explica Camila Bós Vidal, head de marketing da eureciclo.

Atualmente, a empresa possui três certificações: 22%: informa e garante que a marca promove a reciclagem de 22% do volume equivalente de embalagens que coloca no mercado, valor mínimo exigido pela legislação brasileira; 100%: informa e garante que a marca vai além da obrigação legal e compensa toda a emissão de embalagens;  e 200%, que informa que a marca atua com ação regenerativa, ou seja, encaminha para a reciclagem o dobro da massa de suas embalagens, gerando impacto positivo. Para este caso, cada embalagem comercializada resulta em duas iguais recicladas.

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