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Pontos de lixo viram áreas de lazer e cultura em bairros da periferia de SP

No Jardim Elisa Maria, em pouco mais de um ano, os moradores conseguiram organizar sessões de cinema e apresentações de grupos de teatro

Antes, no Jardim Elisa Maria havia caçambas e sujeira acumulada / Divulgação/Prefeitura de São Paulo

Com o apoio dos moradores, um projeto social tem conseguido transformar antigos lugares de acúmulo de lixo em áreas de lazer e cultura na periferia de São Paulo. No Jardim Elisa Maria, na região da Brasilândia (zona norte), em pouco mais de um ano, eles conseguiram organizar sessões de cinema e apresentações de grupos de teatro onde antes havia caçambas e sujeira acumulada.

Segundo o líder comunitário Ionilton Gomes de Aragão, 48, o projeto Nossa Vila Limpa mobiliza os moradores e ajuda na interação deles com a empresa e a prefeitura. "Convencemos as pessoas a entregar lixo e entulho no local e na hora certos e cobramos da prefeitura e da empresa o cumprimento desse acordo", diz.

Para ele, a credibilidade e o exemplo são fundamentais para que as pessoas façam a parte delas e mantenham os bairros limpos. "Elas jogam lixo em lugares que são deteriorados e os deixam piores. Uma coleta que cumpre os prazos faz com que elas cuidem melhor dos locais."

As comunidades em que o projeto atua contam com um cata-bagulho próprio, que retira o material em data combinada, em um prazo máximo de 15 dias.

Expansão

O Nossa Vila Limpa chegou ao Jardim Elisa Maria com a parceria das empresas de coleta de lixo Loga, Inova e o apoio da prefeitura, ainda na durante a gestão de Fernando Haddad (PT), depois de apresentar resultados no Jardim Santa Inês, em Ermelino Matarazzo (zona leste). Com a empresa Soma, o projeto existe naquele bairro desde 2011, com o nome de Varre Vila.

Além desses locais, o projeto é desenvolvido na União Vila Nova, em São Miguel Paulista, e em outros dois bairros, em Guaianases e no Jardim Robru, no Itaim Paulista (todos na zona leste).

Bar vende mais

Expedito Teixeira de Lira, o Toba, 55, é dono de um bar no Jardim Elisa Maria que ficava em frente a um antigo ponto de acúmulo de lixo. Agora, o local é uma praça. Para ele, além de melhorar o visual da região e virar uma opção de lazer para os moradores, ajudou seu comércio. "O meu faturamento mensal aumentou 20% depois da praça", diz. "Todas as casas no entorno valorizaram por não ter mais lixo na porta."

Lira diz que passou a cuidar melhor do espaço desde que o lixo foi retirado. "Se tem sujeira lá, a gente ajuda a varrer."

Limpeza

Líder comunitário desde o começo dos anos 1990, Ionilton Gomes de Aragão começou o projeto de limpeza na Vila Santa Inês, em Ermelino Matarazzo (zona leste), onde morava desde criança.Antes de começar o Varre Vila, ele participou das Comunidades Eclesiais de Base, movimento progressista da Igreja Católica. Trabalhou nos mutirões de moradia e na alfabetização de adultos.

Nascido em Ibiquera, na Bahia, ele chegou com a família a São Paulo quando tinha 4 anos. Aragão conta que morou no bairro durante boa parte da vida. "Eu ainda trabalhava com alfabetização quando a questão do lixo onde eu morava me sensibilizou. Uma senhora me procurou por engano para falar sobre um lugar que tinha lixo espalhado e aquilo ficou na minha cabeça", afirma.

Para Aragão, a limpeza urbana é um instrumento para a população reivindicar outras melhorias. "Conseguimos a reforma e a construção de praças e melhorias na rede de iluminação depois que os lugares não tinham lixo acumulado", diz.

Cinema

Um menino de 11 anos foi o responsável pela ideia de transformar um ponto viciado de lixo em uma praça no Jardim Elisa Maria em um cinema. Agora, a antiga sujeira dá lugar, todo mês, a cadeiras e um telão para uma sessão de filme.

Cauã participava da assembleia ao lado da mãe, Lindalva Ana dos Santos, 39 anos, em que os moradores debatiam o que poderia ser feito naquele espaço.

"Levantei a mão, fiz a proposta e foi aprovada", conta. As reuniões com os moradores são um símbolo do projeto. O compromisso de deixar de jogar lixo nos locais é feito em assembleias em que os favoráveis à proposta levantam a mão para aprovar a decisão.Cauã é o mais velho de quatro irmãos. Lindalva conta que não conseguia levar as crianças ao cinema em outro lugar. "Não é só pelo preço do cinema e da pipoca, é a dificuldade também de se deslocar com eles", afirma. Além de Cauã, ela é mãe de Lucas, 10 anos, Gabriel, 7 anos, e Ana Clara, 6 anos.

Dos filmes que viu em seu bairro, o que mais marcou os irmãos foi o desenho animado "Carros", da Disney. As sessões no local são mensais e gratuitas.

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