X
Brasil

Petróleo 'continuará aí por muitos anos', diz presidente da Petrobras

O executivo participou de uma mesa sobre o futuro do fornecimento de energia ao lado de líderes ligados a energias renováveis

Para o presidente da estatal, Pedro Parente, o gás natural será o combustível da transição / Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Petrobras quer acelerar seus investimentos em inovação para reduzir seu impacto ambiental, mas a indústria de óleo e gás "continuará aí por muitos anos", afirmou o presidente da Petrobras, Pedro Parente, nesta terça-feira (23), em conferência do Fórum Econômico Mundial, em Davos.

O executivo participou de uma mesa sobre o futuro do fornecimento de energia ao lado de líderes ligados a energias renováveis: o indiano Piyush Goyal, ministro das Ferrovias, o espanhol Ignacio Galán, presidente da Iberdrola, o francês Jean-Pascal Tricoire, presidente da Schneider Electric, e Rachel Kyte, presidente do programa SEforAll (Sustainable Energy for All).

"Às vezes é difícil para grandes corporações mudar sua mentalidade. O que faremos é criar fundos de venture capital [capital de risco] para contratar pequenas empresas, para acelerar e dar mais qualidade às propostas para melhorar a eficiência", disse o executivo.

Parente também destacou uma provável entrada da Petrobras no programa Oil and Gas Climate Initiative (associação de petroleiras para propor iniciativas contra mudanças climáticas).

"Somos totalmente favoráveis a combustíveis mais limpos, mas o óleo e gás continuarão aí por muitos anos", disse ele, destacando que é preciso ter uma preocupação, por exemplo, em relação ao tipo de fonte de abastecerá carros elétricos.

Para o presidente da estatal, o gás natural será o combustível da transição. "É fóssil, mas polui muito menos que petróleo e diesel. É um tema importante para minha companhia. A Petrobras hoje é 20% gás e 80% óleo, precisamos equilibrar essa participação."

O problema, segundo ele, é que hoje a exploração do gás natural está associada à extração do petróleo, e uma expansão dele no país implicaria em mais importação. "Em 2016, decidimos nos concentrar no nosso core business [petróleo], para sobreviver. Mas o gás é muito importante, e estamos melhorando tecnologias para ter um melhor uso", disse.

Parente ainda criticou a taxação a equipamentos de energia renovável, anunciada nesta segunda (22) pelo presidente americano Donald Trump -o assunto foi um dos temas levantados no painel.

"O pico de consumo de óleo e gás pode ser inclusive antes de 2030. Mas o carvão ainda vai representar 30% do consumo de energia em 2030. Então, quando o presidente dos EUA coloca impostos em renováveis, está estimulando o carvão de novo. É uma preocupação."

O presidente da Petrobras foi o único representante do setor de petróleo no debate, que destacou a redução dos preços da geração eólica e solar e o aumento da geração distribuída, em que consumidores injetam energia renovável no sistema -fenômenos globais que já são realidade no Brasil.

O executivo ainda ressaltou políticas no país como o incentivo ao etanol, os carros flex e o aumento de fontes limpas na matriz, como a eólica e, mais recentemente, a solar.

Deixe a sua opinião

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Oportunidade

Praia Grande tem 23 vagas de emprego disponíveis no PAT

Interessados devem comparecer ao local para retirar carta de encaminhamento

Cotidiano

Prefeitura de Mongaguá promove protagonismo infantil em minissérie

O projeto 'Liga do ECA' foi inspirado pela 'Liga da Justiça' e as crianças puderam construir seus personagens de acordo com os ensinamentos passados pelos educadores

©2021 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software